Este sábado o palco encheu-se de tons um pouco diferentes das sonoridades punk (e) metal mais frequentes. Não foram os primeiros, nem serão os últimos! Ekcetera e adoro protocolo combinaram outras afinações, ritmos e escalas, com a pica e o espírito Vortex!
Quando a nossa cara se gastar
E tivermos medo de arriscar
Quando a nossa cara se gastar
Parecemos putos
Parecemos putos
Não temos aulas amanhã
Parecemos putos
Não temos aulas amanhã
(Linda Martini, “Juventude Sónica”)
Estou velho! Dói-me o joelho e quase todas as outras partes do corpo cantadas pelo Godinho! A caminho dos cinquenta, já devo ter passado a crise da meia idade! Ou melhor, já passei a meia idade e as crises vão e vêm ao sabor das mais variadas intempéries que nos vão assolando. Estou velho e progressivamente a perder a mania que sou novo. Não compro a conversa das gerações com nomes de letras do alfabeto nem outros chavões como a juventude estar perdida num dia e ser a esperança de um mundo melhor no outro.
Não sei o que isso poderá quer dizer, nem estou muito preocupado, mas gosto dos putos. Do meu, e dos filhos dos outros … principalmente quando se põe a fazer coisas, organizar concertos ou protestos, montar associações e colectivos mais ou menos formais. Gosto muito que escrevam, que pintem, que gritem, pensem e se manifestem! Gosto ainda mais quando o fazem em cima de um palco, de preferência com guitarras (distorcidas), baterias ou qualquer outro instrumento que lhes apeteça ou que saibam tocar! O Vortex abre a porta aos putos, dá-lhes palco, amplificação, monição e carinho! E também é por isso que é um sítio tão especial!
Os adoro protocolo apresentam-se como “rock jazz noise fusion punk pós-lírico pré-irónico”… e sim, quer dizer que é uma grande salada, onde andarão ainda outros ingredientes não identificados no rótulo! Uma salada, pouco light, no entanto … mas ainda assim coerente, nutritiva e sem gorduras saturadas. A banda parece ser mesmo muito recente, não consegui encontrar registos das suas composições (penso que ainda não deverão existir) para poder tirar conclusões um pouco menos precipitadas do que as impressões com que fiquei no passado sábado! Ainda assim, arrisco! Pareceu-me ouvir um bom punhado de boas ideias, muito na onda de algumas versões mais ou menos contemporâneas do legado dos Velvet Underground e afins! Gostei muito da secção rítmica (onde me parece que a guitarra acaba por morar mais tempo), e ainda mais do saxofone e do casamento entre todos os elementos. Algo me diz que voltarei a ouvi-los em breve!
Não sei se poderei dizer o mesmo sobre os Ekcetera, mas, acreditem, não será por falta de interesse. Bem pelo contrário, interesse existe e muito, tanto que já vou na segunda audição seguida de Protocol Distortion (Live) no bandcamp da banda. A questão é que os moços são do Porto, e se terei percebido bem, esta foi apenas a primeira vez que tocaram em Lisboa! Bem, não estão aqui à mão de semear, mas ficaram na cabeça e nos ouvidos! No ano passado editaram o seu primeiro álbum, Fogacho, mas tudo indica que o nome engana e a chama do quinteto não se apagará tão cedo e que haverá novo disco em breve. Dizem-se inspirados por bandas tão recomendáveis como Swans, Unwound ou Fugazi, e não será difícil descobrir outras boas referências nos seus temas que tanto vão beber ao post-hardcore e post-rock mais atuais, como ao emo ou ao shoegaze vintage conservado em barricas de carvalho sacadas das caves de Vila Nova de Gaia. Muito bom! Quero mais!



















