O disco de estreia dos Decline and Fall é continuidade e ponto de partida.
Se vos falar em Armando Teixeira, Hugo Santos e Ricardo S. Amorim, alguém quer arriscar o papel de oráculo? Estão juntos há um par de anos mas têm mais de 2 décadas de experiência e todos são pesos pesados do panorama nacional: Armando Teixeira fundou e participou em vários projectos ao longo dos anos, como os Da Weasel, Bizarra Locomotiva, Balla, Bullet ou Knok Knok; Hugo Santos é o fundador, vocalista e guitarrista dos Process of Guilt; Ricardo S. Amorim é jornalista experiente em publicações de cariz musical, incluindo a biografia oficial dos Moonspell. O que começou informalmente com troca de mensagens, partilha de influências e troca de cromos, rapidamente deu rebento para o que atualmente podemos procurar como Decline and Fall.
Fãs da onda post punk, dark wave, electrónica, o trio alinhou-se pelas tendências e vontades, o desejo de explorar e criar juntos, mesmo que isso não passe por estarem sempre em estúdio a ensaiar. Com um background muito ligado ao metal, influenciado por grandes nomes dos anos ’90 como os Swans, Black Sabbath, Iron Maiden, Judas Priest, o grupo é atraído pela estética do punk, pela liberdade de fazerem música sem estarem agarrados aos arquétipos e padrões metaleiros que sentem, quer nas bandas mais recentes, quer nos álbuns mais recentes das bandas mais antigas.
Os Decline and Fall apresentaram-se ao vivo pela primeira vez no Amplifest do ano passado, já com 2 EP: Gloom e Pulse, e vieram agora dar a conhecer o seu primeiro álbum no Teatro Turim. Scars and Ashes, lançado em Abril, corrobora o sentimento de regresso às origens, a surgir em voz muito própria e apenas como ponto de partida. O líder assume, sem nostalgia, a vontade rejuvenescida de voltar a ter uma banda, fazer coisas novas e diferentes, sentir o burburinho do trabalho e as ideias a fervilhar. O resgate de um lado mais emotivo, a fazer a música que mais lhe faz sentido.
Concerto esgotado e pessoas à porta a pedir para entrar no lugar dos que estavam atrasados, pairou uma vibe quase intimista, de quando há algo muito pessoal que se quer muito partilhar. Os vídeos a preto e branco que passavam em segundo plano contribuíram para a cénica underground, fluidez e reflexão. A setlist viria a terminar com o tema de abertura “As All Ends”, mas ainda voltaram para a sua versão de “Warm Leatherette” dos The Normal, em jeito de reconhecimento.
Pessoalmente não sou fã do género, não falo enquanto especialista e acho que os concertos são sempre uma experiência um bocado “pessoal e intransmissível” mas… como ouvi outro dia numa meditação em andamento, “supõe que és um alienígena, tomaste conta de um corpo e estás a vivenciar tudo como se fosse a primeira vez enquanto humano”. E eu suponho que vale a pena tentar olhar para as coisas com outros olhos, ouvir de outra forma, abrir o leque de opções a que normalmente se recorre.
Fotografia:Rute Leonardo







