No Meo Arena, os Capitão Fausto provaram porque são uma das bandas mais importantes de Portugal. Entre fãs de todas as idades e estilos, em duas horas de concerto a banda conquistou palco e público, mostrando maturidade, energia e uma cumplicidade contagiante. Foi, sem dúvida, a noite da consagração.
Confesso desde já: no Altamont não faltam fãs acérrimos dos Capitão Fausto, mas eu nunca fui uma deles. Sou mais a pessoa que ouve as canções passivamente e aprecia, que já os viu ao vivo por acaso e gostou, mas cujo santo não cruza propriamente com a banda de Alvalade. Ainda assim, a vontade de partilhar esta experiência convosco, que me leem, nasceu tanto de uma tentativa de fazer as pazes com a música da banda, como de não ficar de fora daquele que seria, inevitavelmente, um dos concertos do ano.
Talvez por isso, numa semana marcada pela depressão Ingrid, a chuva tenha dado tréguas aos milhares que se deslocaram à zona oriente da cidade de Lisboa para assistir àquele que viria a ser o maior concerto dos Capitão Fausto. Dentro do Meo Arena, era engraçado observar o mosaico de pessoas diferentes que o enchiam: betos, agro-betos, hipsters, casais que após o concerto foram buscar os filhos a casa dos pais/sogros e até o ainda Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, encostado às grades que nos separavam do palco.
Quando, na reunião com os vários repórteres e fotógrafos que se encontravam para recontar a noite que se prometia memorável, as indicações foram de que iria haver um segundo palco, o meu coração encheu-se de felicidade ao imaginar os sorrisos que os milhares presentes iriam esboçar ao serem surpreendidos. Também eu fiquei surpreendida quando me deparei com a estrutura e o palco preparado para o concerto. Era um projeto megalómano e, felizmente, foi um projeto feliz.
Os Capitão Fausto desenharam um alinhamento que atravessou diferentes fases da sua discografia, com temas de Gazela, como “Teresa” e “Santana”, passando por Pesar o Sol, que fazia 12 anos no exacto mesmo dia do concerto, de onde surgiram canções como “Maneiras Más” ou “Lameira”, e por Capitão Fausto Têm os Dias Contados, bem representado por “Os Dias Contados” e “Amanhã Tou Melhor”. O percurso estendeu-se ainda ao disco mais recente, Subida Infinita, com temas como “Na Na Nada” e “Cantiga Infinita”, com Tim Bernardes a acompanhar a banda no ecrã. O alinhamento foi longo, 25 canções, que se estenderam por duas horas de concerto, sublinhando a continuidade e a maturidade do trajecto da banda.
Se podemos apontar alguns momentos mais mornos, no geral, o concerto manteve uma cumplicidade contagiante entre a banda e o público. Se os membros da banda agradeceram ao microfone inúmeras vezes ao público, o que ali estava e que sempre os acompanhou desde palcos que nem de Alvalade eram, até à magnificência do palco do Meo Arena, o público também agradecia. Fica a imagem de nunca terem deixado cair Tomás Wallenstein no seu mui arriscado crowdsurfing.
A subida quer-se infinita e constante, e a banda tem tudo para isso: boas canções e fãs dedicados e incondicionais. Fui para o carro a achar que tomei a decisão certa e, apesar de já ter ouvido algumas comparações com outros concertos de bandas emblemáticas, que considero estapafúrdias, isso não retira qualquer tipo de intensidade, entrega ou magia ao que vivemos ontem, que foi, sem qualquer dúvida, a noite da consagração dos Capitão Fausto.
Fotografias: Inês Silva













