Motown, Detroit, 1964.
Os anos 60 foram de ouro para a Motown, graças ao exército de músicos negros à disposição da editora, que soube dar-lhes uma estrutura profissional e tirar deles todo o seu talento, cujos ecos chegam até hoje.
Sendo este o maior êxito da carreira de Martha Reeves & The Vandellas, o tema tem autoria tripartida. Começou com uma ideia do produtor e compositor da Motown, Mickey Stevenson, depois de ver as crianças a brincar com a água de uma boca de incêndio, num dia particularmente quente em Detroit. Trabalhou a ideia com outros dois compositores da editora, Ivy Jo Hunter e com o famosíssimo Marvin Gaye, de quem partiu a ideia de transformar o que era mais uma balada numa música mais acelerada e celebratória, consonante com a sua letra animada.
O tema foi um grande sucesso e estabeleceu o nome de Martha & The Vandellas. No entanto, pouco depois do seu lançamento, motins raciais rebentaram um pouco por toda a América, e “Dancing In The Street” tornou-se o hino não-oficial desse movimento. Associação que perturbou Martha Reeves, que insistia na versão de que a canção era positiva e de festa, e não de conflito, bem como a administração da Motown, a quem o negócio estava a correr bem. Os discos da editora vendiam-se que nem pãezinhos quentes, inclusivamente conseguiam pouco a pouco penetrar no lucrativo mercado dos ouvintes brancos, e Berry Gordy, o Senhor Motown, não queria isso estragado com uma associação demasiado declarada à mensagem política, que podia estragar os lucros, ou pior, trazer a polícia e as autoridades fiscais.
A força do tema impôs-se, independentemente da intenção inicial ou da interpretação que se tenha. A versão mais conhecida será talvez a de Mick Jagger e David Bowie, de 1985, mas muita gente a tocou e gravou, dos Van Halen aos Grateful Dead.
Tudo começou com Martha Reeves & The Vandellas, em Detroit, em 1964.
