Pode uma música dum tipo com o coração destroçado e cheio de lamúrias de nenhuma rapariga de lhe pegar estar pejada de fuzz e distorção, sem rumo e direção? Pode uma música desvairada, insana, perdida nas cordas de guitarra de aparente pura improvisação ser sobre tristezas de amor? Pode um simples batom de cereja inspirar tudo isto? Podem os Yo La Tengo ser enormes? Ou pode isto ser só barulho para os ouvidos? Cada um sabe de si, mas para mim isto é um portento de canção, parte de um portento de álbum.
Canção do Dia: Yo La Tengo – Cherry Chapstick
Alexandre Pires
Nasci em terras de Vera Cruz, decorria ainda a década de 70. De pequenino me apercebi que estava destinado a grandes feitos e quis desde logo deixar a minha marca, começando por atravessar o Atlântico a nado. Dessa experiência guardo sobretudo água salgada nos ouvidos, água essa que me impediu de dar ouvidos ao meu pai que queria fazer de mim engenheiro. Hoje, quando me perguntam a profissão, não sei o que responder. Tenho vários chapéus que vou usando consoante a ocasião, desde economista proeminente a futebolista de sonho, de crítico de música amador a empreendedor visionário, de tenista de meia tigela a DJ concorrido, de amante cinéfilo a pai dedicado.
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