Em ’92, os Mão Morta fizeram o brilhante Mutantes S 21, álbum conceptual onde cada canção corresponde a uma cidade, um diário de viagens pela geografia da noite e do errado. A cidade portuguesa que abre o disco é “Lisboa” e percebemos bem que o Cais do Sodré que percorremos não é o sofisticado lugar da moda em que hoje se tornou mas sim o antigo bairro marginal das mulheres da vida e dos junkies decadentes: “Quando chega a noite/Com suas caras fugidias/Olhos dilatados pelo assombro/Deixamos que a cidade nos invada/Fantasma a embriagar-nos de luz e cor/Num sonho de mil e uma fantasias/O desejo cruzando os néons/Em projecções plásticas”…