Ao quarto disco, Fiona troca os sonhos pop pela pura arte. A sua voz está tão ensopada de verdade que chega a raiar o obsceno.
“Rio-me de Janeiro” – JP Simões
Neste chorinho brasileiro, o ácido do humor de JP Simões é arremessado contra a elite yuppie que nos governa.
Playlist da Semana: Saudades
A lista desta semana é triste: canções sobre o suicídio ou que pelo menos deixam em aberto essa interpretação. Algumas foram tragicamente premonitórias. Recordamo-las porque temos saudades e chovia lá fora…
Unknown Mortal Orchestra – Unknown Mortal Orchestra (2011)
Associados à nova vaga psicadélica, os UMO sempre foram, porém, um bicho diferente: mais originais, com pouca pachorra para os lugares comuns do acid rock.
Micachu & The Shapes – Jewellery (2009)
Ao princípio tudo soa cacafónico mas à terceira audição já estamos a cantarolar as melodias no banho.
Hot Chip – Coming On Strong (2004)
Música de dança para doutorados. Electro-gangsta para quem não sabe distinguir cocaína de farinha maizena.
Dirty Projectors – Bitte Orca (2009)
O álbum que pôs os Dirty Projectors no mapa, fazendo a ponte entre o vanguardismo erudito dos primeiros discos e o melodismo pop dos seguintes.
Panda Bear – Person Pitch (2007)
A sensação é a de rodopiarmos num carrossel, como se tivéssemos outra vez quatro anos: cor, leveza, deslumbramento, medo.
N.W.A. – Straight Outta Compton (1988)
Straight Outta Compton é o Never Mind the Bollocks do hip-hop: niilista, escandaloso e efervescente.
J Dilla – Donuts (2006)
Feito no leito da morte, Donuts não é só um grande disco de hip-hop instrumental. É a vitória de um homem contra a estupidez do destino.
Kanye West – 808s & Heartbreak (2008)
Uma nova era do hip-hop começou com este disco: melódica e melancólica, anestesiada em auto-tune, onde o vazio interior pós-fama vale mais do que qualquer ouro ao pescoço.
Prince – 1999 (1982)
Com um pé na pop e outro no funk, 1999 revolucionou ambos, inundando-os de fantasia e cor.
Thelonious Monk – Solo Monk (1965)
Singelo. Engraçado. Desconcertante. Puro. Como uma criança a bater nas teclas ao calhas, só para ver a mãe sorrir.
The Byrds – Fifth Dimension (1966)
O disco que inventou o rock psicadélico. Uma síntese inspiradora entre sensibilidade pop e experimentalismo.
“O Novo Normal” – Sérgio Godinho
É uma canção sobre a pandemia mas também uma reflexão sobre o medo: o medo bom que nos defende e o medo mau que nos paralisa.
Sérgio Godinho em entrevista: “A criação tem algo de mágico e misterioso”
Estivemos à conversa com Sérgio Godinho. Tudo girou à volta da sua nova canção, “O Novo Normal” (uma reflexão sobre a pandemia que se abateu sobre nós) e do que há de godinhiano na mesma.
Sérgio Godinho – Mútuo Consentimento (2011)
Um disco apenas bom, traído por algumas canções menores. Destaque para a valsa gótica “Em Dias Consecutivos”, de uma beleza arrepiante.
Sérgio Godinho – Tinta Permanente (1993)
Um disco elegante, que cruza a guitarra com pinceladas jazz e arranjos eruditos. Pelo menos dois temas tornam-se canónicos: a arabesca “O Elixir da Eterna Juventude” e a soturna “Fotos de Fogo”.