Ricardo Romano
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"Um bom disco justifica sempre os meios”- defendeu-se Ricardo Romano, ao ser acusado de ter vendido o rim esquerdo da sua tia entrevada para comprar uma edição rara do Led Zeppelin II - o melhor disco de sempre. O juiz não se convenceu, mandando-o para uma prisão com condições desumanas, onde uma vez foi obrigado a ouvir do princípio ao fim um disco dos Creed. Actualmente em liberdade, cumpre pena de trabalho a favor da comunidade no site Altamont mas a proximidade com boas colecções de discos não augura nada de bom.

Unknown Mortal Orchestra – Unknown Mortal Orchestra (2011)

Associados à nova vaga psicadélica, os UMO sempre foram, porém, um bicho diferente: mais originais, com pouca pachorra para os lugares comuns do acid rock.

Micachu & The Shapes – Jewellery (2009)

Ao princípio tudo soa cacafónico mas à terceira audição já estamos a cantarolar as melodias no banho.

Hot Chip – Coming On Strong (2004)

Música de dança para doutorados. Electro-gangsta para quem não sabe distinguir cocaína de farinha maizena.

Dirty Projectors – Bitte Orca (2009)

O álbum que pôs os Dirty Projectors no mapa, fazendo a ponte entre o vanguardismo erudito dos primeiros discos e o melodismo pop dos seguintes.

Panda Bear – Person Pitch (2007)

A sensação é a de rodopiarmos num carrossel, como se tivéssemos outra vez quatro anos: cor, leveza, deslumbramento, medo.

N.W.A. – Straight Outta Compton (1988)

Straight Outta Compton é o Never Mind the Bollocks do hip-hop: niilista, escandaloso e efervescente.

J Dilla – Donuts (2006)

Feito no leito da morte, Donuts não é só um grande disco de hip-hop instrumental. É a vitória de um homem contra a estupidez do destino.

Kanye West – 808s & Heartbreak (2008)

Uma nova era do hip-hop começou com este disco: melódica e melancólica, anestesiada em auto-tune, onde o vazio interior pós-fama vale mais do que qualquer ouro ao pescoço.

Prince – 1999 (1982)

Com um pé na pop e outro no funk, 1999 revolucionou ambos, inundando-os de fantasia e cor.

Thelonious Monk – Solo Monk (1965)

Singelo. Engraçado. Desconcertante. Puro. Como uma criança a bater nas teclas ao calhas, só para ver a mãe sorrir.

The Byrds – Fifth Dimension (1966)

O disco que inventou o rock psicadélico. Uma síntese inspiradora entre sensibilidade pop e experimentalismo.

“O Novo Normal” – Sérgio Godinho

É uma canção sobre a pandemia mas também uma reflexão sobre o medo: o medo bom que nos defende e o medo mau que nos paralisa.

Sérgio Godinho em entrevista: “A criação tem algo de mágico e misterioso”

Estivemos à conversa com Sérgio Godinho. Tudo girou à volta da sua nova canção, “O Novo Normal” (uma reflexão sobre a pandemia que se abateu sobre nós) e do que há de godinhiano na mesma.

Sérgio Godinho – Mútuo Consentimento (2011)

Um disco apenas bom, traído por algumas canções menores. Destaque para a valsa gótica “Em Dias Consecutivos”, de uma beleza arrepiante.

Sérgio Godinho – Tinta Permanente (1993)

Um disco elegante, que cruza a guitarra com pinceladas jazz e arranjos eruditos. Pelo menos dois temas tornam-se canónicos: a arabesca “O Elixir da Eterna Juventude” e a soturna “Fotos de Fogo”.

Sérgio Godinho – Sérgio Godinho canta com os Amigos do Gaspar (1988)

Isto não é um disco, é um pedaço de infância. “É Tão Bom” que voltamos para lá.

Sérgio Godinho – Salão de Festas (1984)

Um disco incompreendido na época mas redescoberto pela geração seguinte. “Coro das Velhas” e “Quimera do Ouro” ficam para a posteridade.

“O Elixir da Eterna Juventude” – Sérgio Godinho

Envelhecer é uma inevitabilidade e os remorsos sempre vãos, vai dizendo nas entrelinhas. À-pre-lom-pom-pom…