Em 1968 era lançado Tropicália ou Panis et Circensis, um disco que reuniu Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Nara Leão, Tom Zé e Os Mutantes. Estavam lançadas as bases para o Tropicalismo, um movimento musical que durou um ano, mas deixou marcas na vida cultural brasileira, até hoje. Também no panorama político as influências de Tropicália não passaram despercebidas. Foi um disco que irritou o regime de direita e incomodou os extremistas de esquerda, atirando mesmo Caetano e Gilberto Gil para a prisão e, mais tarde, para o exílio.
25 anos volvidos nascia eu e Caetano Veloso e Gilberto Gil lançavam Tropicália 2. O álbum começa com Haiti, a apoteose das canções de intervenção. Os batuques transportam-nos para o coração das florestas indígenas, que tanto podem ser numa ilha caribenha, como no coração do Brasil. A orquestração que marca o passo para o rap de Caetano esfrega-nos na cara todas as injustiças que escolhemos ignorar quando nos preocupamos só com o que se passa lá fora. A melodia que embala o irónico refrão é uma chapada de luva branca.
Tudo nesta canção é um murro no estômago. Tudo nesta canção é violência, quando aquilo de que precisamos mesmo é de uma boa sova.