B Fachada é Pra Meninos foi um dos discos que mais me marcou nos últimos anos, qual manual de conselhos amorais que, afinal, me vão sempre soando muito mais morais e honestos que os ensinamentos mais comuns.
“O Futuro” encerra o disco, e é um dos meus temas favoritos. Nele, B Fachada usa todo o seu talento de composição para nos transmitir um amontoado de questões, que mais que infantis são sobretudo de uma beleza enorme (porque se abre aqui a porta a todas as possibilidades, sem preconceitos adultos de espécie alguma), num ritmo alienante que não se podia adequar mais. A meio da canção, B pergunta-se “terei primas terei festas/terei muito ou pouco amor/terei doenças de cabeça/será que chego a ser avô/vou só ser aquilo que gosto/ou vou gostar daquilo que sou”.
E dissipam-se, assim, todas as dúvidas: “O Futuro”, qual súmula de todo um disco, serve afinal para todos: não continuaremos todos a ser uns “meninos” a crescer durante a vida, enquanto houver um caminho pela frente? “O Futuro”, para B. Fachada, é afinal um manual para a vida (e há coisa mais importante?): mais aberto que fechado, e convicto da sua própria moralidade.
