Nos meados dos anos 50, Astor Piazzolla revolucionou a linguagem do Tango, colocando em causa muitos dos seus dogmas. A Argentina reagiu furiosamente a esta afronta. Um crítico afirmou: “a sua música é apenas um conjunto de sons irritantes; ele quer matar o mais sagrado que é o tango.” Piazzolla e a sua família foram constantemente ameaçados, tendo uma vez sido agredido à porta da sua casa em Buenos Aires. Os taxistas recusavam a levá-lo dos concertos para casa. Um cantor de tango invadiu o estúdio de uma estação de rádio onde ele estava a dar uma entrevista e apontou-lhe uma pistola à cabeça. Ouvindo músicas como esta “Libertango”, conclui-se que estas reacções, apesar de violentas, são historicamente compreensíveis. Não aconteceria o mesmo a um Piazzolla português que não houve se nos anos 50 ousasse subverter o fado?
Canção do Dia: Astor Piazzolla – Libertango
Ricardo Romano
"Um bom disco justifica sempre os meios”- defendeu-se Ricardo Romano, ao ser acusado de ter vendido o rim esquerdo da sua tia entrevada para comprar uma edição rara do Led Zeppelin II - o melhor disco de sempre. O juiz não se convenceu, mandando-o para uma prisão com condições desumanas, onde uma vez foi obrigado a ouvir do princípio ao fim um disco dos Creed. Actualmente em liberdade, cumpre pena de trabalho a favor da comunidade no site Altamont mas a proximidade com boas colecções de discos não augura nada de bom.
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