Não foi necessário esperar por setembro, ou mesmo pelo fim da semana, para as nossas mentes regressarem ao conforto da nossa cave preferida! O Vortex voltou a encher e a derreter ao sabor metálico do Rock puro dos City Kings e da torrente sónica dos Nagasaki Sunrise.
É certo que haverá coisas bem mais sérias e graves, mas regressar de férias é duro! Violento, quase! Eu não sei como lidam com o choque, mas eu tendo a procurar o conforto daquelas coisas que sei que só posso encontrar no lar, ou melhor, nos lares … e como já aflorado por estas páginas, para mim – como para muitos outros irmãos de armas – o Vortex é casa! E se de conforto da familiaridade falo, nada poderia ser mais adequado do que termos os nossos Nagasaki Sunrise a derreter a última quinta-feira de agosto. E sim, é claro, que a lotação esgotou.
Para quem não conhece, os Nagasaki Sunrise são uma banda lisboeta que funde com singular mestria elementos do metal clássico dos anos 80 – nas melodias, na estética ou no poderoso trabalho de guitarras – com o D-beat – na velocidade, na atitude ou na entrega in your face. Seguindo a tradição do Burning Spirits, de origem nipónica, as letras falam da segunda guerra mundial, de batalhas no pacífico e sobretudo da glória de vencer lutas interiores. Sente-se, ou sinto, nesta banda … um equilíbrio quase perfeito entre a agressividade do som, da estética e da coreografia com as constantes rajadas de ânimo, de entrega vigorosa e … sem medos, de alegria contagiosa … que vai galopando com a tal familiaridade que se vai ganhando com as repetidas experiências ao vivo.
Esta foi a sexta vez que os apanhei e, mais uma vez, senti que foi a melhor! Passeei por todos os registos da banda, em jeito de greatest hits, abanei a cabeça até mais não, juntei-me ao mosh, suei em bica e só não cantei em plenos pulmões os deliciosos refrões porque os restantes presentes não têm culpa! Até agora, um dos concertos mais fixes deste ano!
A noite abriu com a estreia dos norte-americanos City Kings na Europa, um trio (reduzido a dupla) oriundo de Boston, mas a tresandar ao eixo Londres – Los Angeles cravado pelas cavalgadas decibélicas dos Motörhead. Rock’n’Roll duro e do bom, direto aos ouvidos e ao resto do corpo simplesmente incapaz de ficar quieto!




























