A dupla Estriknina e 3416 invadiu o Vortex de energia pura e de uma pica explosiva que não deixou ninguém incólume. O espírito e a música punk continuam bem vivos e prontinhos a incomodar mentalidades e ouvidos mais tacanhos.
A cave do Vortex é quentinha, bem quentinha e quando enche escalda ainda mais. Na passada sexta-feira, apesar da meia casa, a coisa aqueceu e acreditem que pouco tem a ver com a temperatura cá fora. Se na sala o mercúrio trepou por causa do frenesim orquestrado por ambas as bandas … cá dentro, o calor era outro e causado por aquela sensação aqui já muito identificada de familiaridade e pela felicidade interior que sinto sempre que tenho a oportunidade de conspirar – respirar junto, na origem do termo – com um conjunto de jovens a tresandar talento, alegria e sobretudo muita vontade de fazer música.
Os 3416 são um duo (voz e guitarra + bateria) que tem ar de estar a dar os primeiros passos elétricos. A informação recolhida nas redes indica que virão de Fontanelas, mas a mim também me parece que vêm dali … da frente do palco, do meio do mosh e do slam – aliás, o vocalista e guitarrista assumirá esse papel no set dos Estriknina assim que o concerto dele acabar. A juventude do projeto nota-se em alguns detalhes, o que não é necessariamente mau … é cru, é puro e a pica que vemos em cima do palco contagia os presentes. Ficaram pistas sónicas interessantes e um nome gravado na minha memória para futuras explorações.
Apresentados como Punk Vareiro, os Estriknina são oriundos de Esposende e trouxeram uma das propostas mais fixes que tive a sorte de conhecer nos últimos tempos. Não é particularmente fácil caracterizar o som da banda, se com caracterizar quisermos dizer catalogar. O quarteto passeia por uma série de estilos, ou pelo menos é isso que o meu cérebro processa – punk, metal, rock … nas suas mais diversas vertentes. Tudo muito bem orquestrado e cheio de personalidade. A dupla de vozes é cativante, contém zero por cento de açúcar … fugindo até para alguma acidez refrescante e carregada de energia. Com um disco homónimo (editado em 2023) na algibeira, a banda nota rodagem e suficiente maturação para assegurar uma atuação dinâmica, mexida e empolgante. Fantástico.
Fotografias de Rui Gato























