Marlon Ruivo e Escárnio lançaram os respectivos EP de estreia no ano passado. As concomitâncias entre estes dois quartetos alfacinhas continuam na sua composição – um(a) líder forte e carismátic@ à frente de duas pujantes tríades rock’n’roll (guitarra, bateria e baixo) – e prosseguem na atitude e lírica contestatária até se encontrarem num bar para um copo de tinto e um shot de CRF!
Andava a tentar apanhar os Escárnio desde a sua estreia – em abril do ano passado nas Damas. Como também ainda não consegui ver os Dead Club, só tinha podido vislumbrar a Violeta Luz em pequenas participações em concertos dos Humana Taranja ou de Vaiapraia. Apesar de breves, essas actuações, em conjunto com Falha-me Deus (o tal EP de 2025) eram mais do que suficientes para perseguir o calendário musical até ao desejado encontro. Ainda bem que fui criando expectativas, pois este concerto conseguiu superá-las.
Parece-me justo dizer que o foco principal – com a excepção daqueles à entrada do palco que ela mandou desligar para mal dos meus pecados fotográficos – será sempre a Violeta, pelo que canta, pelo que dança e pelo que diz e como o diz! Por outro lado, também será acertado alegar que esta frontwoman maior que a vida tem as costas bem quentes com uma banda de luxo. Apesar de mais discreto, é perceptível que Pedro Treno assume um papel fundamental no quarteto, que extravasa o excelente trabalho na guitarra. No baixo, André Amado, figura de proa dos Walter Walter, assegura o bom rumo da flotilha e abre alas para Ricardo “Baquetas de Midas” Martins fazer o que (nos) sabe tão bem … brilhar! Mas, e se calhar, ainda mais importante que tudo, temos as canções. Seja em andamentos mais lentos, como na inicial “Faca e Queijo” (com Violeta também no baixo e André a ajudar nos coros), seja nos mais frenéticos e apunkalhados, as composições do quarteto são deliciosas e vão entrando no ouvido sem necessidade de adicionar açúcar … sobretudo nos hinos (feministas) “Arca de Noé” e “De Vestido”. Como se não chegasse já o belo concerto, recebemos também a excelente notícia que está para breve a edição do primeiro longa duração da banda! Oh yeah!
Como escrito pelo mago Prince e cantado pelas Bangles, «time flies when you’re having fun!» e vistas as coisas, já passaram quase três anos sobre a primeira vez que apanhámos os Marlon Ruívo num concerto que se tornou cumbiocaótico na Sirigaita. De lá para cá saiu Styrofoam (o supracitado EP do ano passado) e o caos parece ter amainado um pouco. Pode ser meramente impressão minha – muito ajudada pela excelente forma como a malta do Bota trabalha o som, é certo – mas o trio de instrumentistas formado por Carlos Faia Fernandes na guitarra, Ricardo Ventura no baixo e Miguel Costa na bateria está muito mais coeso e pujante. Eles rockam, eles rockam duro e quase metalam, eles punkam e eles até krautam e psicadelicam! Ainda é véspera da terça-feira gorda, mas a malta parece que está a guardar as baterias para o desfile do dia seguinte … e muitos observam sentados em vez de se mexerem empolgadamente como a música pede! Se calhar estarei a ser injusto, as minhas sinceras desculpas. Há que entender que é dia de festa e as atenções de muitos dos presentes estarão em celebrar o aniversário de Pedro Augusto, o vocalista e frontman da banda, e preferem concentrar as suas energias para as partilhar com ele. Para além das malhas de Styrofoam, o quarteto presenteia-nos com temas como “Kaputt” (logo a abrir), “Turistas” e “Ricos”, que confesso, foram as que eu gostei mais. É só o meu gosto e/ou a minha opinião, eu sei, mas prefiro os momentos em que as vocalizações conseguem criar texturas contrastantes com a solidez (e o virtuosismo) instrumental da banda, seja pela utilização de efeitos, seja pelas pequenas mudanças de registo ou inclusivamente por utilizar um idioma diferente do todo dominante inglês! Seja como for, tenho de tirar teimas e tentar apanhá-los outra vez, de preferência com um intervalo bem menor do que este último! Muitos parabéns, Pedro! Que contes muitos! Saúde!
Fotografias Rui Gato
























Obrigado por teres ido, pela atenção, pelo texto e obrigado pelos parabéns! Vou passar a meter ainda mais auto tune na voz! :)) Um abraço. Ass.: Pedro Augusto