private music é mais um capítulo sólido na longa trajetória dos Deftones, uma banda que, ao contrário de muitas das que emergiram do mesmo caldo cultural, nunca ficou presa a um tempo específico.
Embora frequentemente associados ao nu-metal do final dos anos 1990, os Deftones sempre habitaram um espaço próprio, mais atmosférico, mais emocional e menos dependente de fórmulas. Décadas depois, continuam ativos, relevantes e criativamente vivos — algo que, por si só, já é um feito raro no rock pesado contemporâneo.
Há em private music uma confiança tranquila que só bandas com identidade muito bem definida conseguem transmitir. Os Deftones não parecem interessados em reinventar-se radicalmente, mas também não soam acomodados. O disco aposta numa linguagem que lhes é familiar: guitarras densas e texturais, dinâmicas que alternam violência e contemplação, e a voz de Chino Moreno, ainda capaz de oscilar entre fragilidade quase etérea e explosões de intensidade crua. É um álbum que respira maturidade, sem perder o nervo.
Musicalmente, o disco sobressai sobretudo na criação de atmosferas. As camadas de guitarra continuam a ser um dos grandes trunfos da banda, construindo paisagens sonoras que envolvem mais do que atacam diretamente.
Há momentos de peso, mas também muito espaço para o silêncio relativo, para a tensão suspensa e para melodias que se insinuam em vez de se imporem – tal abordagem reforça a sensação de que os Deftones sempre foram mais do que uma banda de riffs.
Nem tudo, contudo, funciona com a mesma força. private music tem alguns momentos que soam excessivamente seguros, quase como variações de ideias já exploradas em discos anteriores. Certas faixas parecem cumprir bem o seu papel, mas dificilmente se destacam no conjunto da discografia da banda. Falta, aqui e ali, aquela canção verdadeiramente incontornável, que sobressaia particularmente ou se destaque por algum traço mais distintivo.
Ainda assim, tal não compromete o resultado final. private music é um disco bom, consistente e envolvente, mesmo que não seja incrível ou revolucionário. Não é o disco que vai trazer novos fãs à banda, mas é mais uma prova de longevidade artística e integridade criativa. Para uma banda que nasceu num movimento tão datado como o nu-metal e conseguiu transcendê-lo com personalidade própria, isso é talvez o maior elogio possível.