Psicadelismo, afrobeat, rock e soul instrumental, numa viagem que vale muito a pena fazer.
Estes Budos Band andam nisto há mais de 20 anos e, lenta mas seguramente, estão a chegar aos ouvidos que procuram sons que os transportem para outra dimensão.
Começaram há 20 anos em Nova Iorque, nascendo de um ambiente relaxado de jam sessions mais ou menos desreguladas que acabou por marcar não só o som da banda como a sua postura. Ao longo do percurso, já tiveram cinco, sete ou dez membros (neste último disco são nove, fixos), porque o que interessa aqui é o caminho, a mistura, a experiência.
Pela capa e à primeira audição, estamos perante mais uma banda do rock psicadélico (e não nos queixamos, atenção). Mas com mais atenção e novas escutas, esse rótulo acaba por ser extremamente redutor, desde a base. Isto porque a Budos Band é uma misturada de muitas coisas, e não se pode sequer dizer que o rock se sobreponha ao resto. Face ao neo-rock psicadélico actual, distinguem-se pela extensiva e ominpresente utilização de instrumentos de sopro, dos trompetes ao trombone, por exemplo. Além disso, em termos sobretudo rítmicos mas não só, o grupo vai beber extensamente ao afrobeat e aos ritmos africanos, a fazer lembrar a fusão norte-sul de uns Goat, por exemplo.
Junte-se a esta receita um baixo pulsante e propulsor, uma guitarra wah-wah e uma grande ginga, e o que temos é um disco totalmente instrumental muito vivo e altamente cinemático (tanto imaginamos uma perseguição dos anos 70 como um policial noir elegante, ou mesmo um spaghetti western dos velhos tempos).
A filiação não engana, e talvez por isso não se estranhe que editem pela excelente Daptone Records, a casa de saudosos como Sharon Jones e Charles Bradley, tendo sido mesmo a banda deste último no seu óptimo disco Changes.
O truque de VII – o sétimo disco da banda, lá está – é a certeza desta combinação entre rock (menos pesado do que em discos anteriores da Budos Band), afrobeat, mariachi a la Calexico e um toque de soul instrumental que nos leva aos tempos dos filmes de blaxploitation.
VII é uma viagem, um desfile de mundos que vamos vendo pela janela desta retro-nave, e uma delícia de escapismo.