Cinco anos depois do surpreendente regresso que foi Desalmadamente, Lena d’Água traz um novo disco que, como se diz no futebol, prova que em equipa que ganha não se mexe.
A culpa deve ser do lançamento na reta final do ano. Talvez tenha que ver com as poucas novidades do disco na comparação com o anterior – temos aqui novamente o ‘desenho’ por Pedro da Silva Martins para a obra e os cinco anos de distância, musicalmente falando, não se sentem. Talvez seja todo um outro leque de questões, mas a verdade é que Tropical Glaciar não atingiu particular destaque nas listas de melhores do ano.
O efeito novidade, reconheçamos, não é o mesmo. Mas as canções, essas, estão quase todas em bom plano: “Sem Pressa”, “Naquela” e “O Que Fomos e o Que Somos”, as três de abertura, são momentos de destaque, num disco em que, reconhecemos, o todo não é maior que a soma das partes.
Lena d’Água é uma grande figura do cançonetismo pop de Portugal, como pudemos constatar no recente concerto dado no São Luiz. Tropical Glaciar não amplia o estatuto mas é mais um belo conjunto de músicas aparentemente simples mas recheadas de curvas e contracurvas de elegância.