Ao quarto disco os Mount Kimbie viraram-se para indie, mostrando versatilidade e inventividade.
Lamiré rápido à carreira desta banda britânica – formada em 2008 pelo duo Dominic Maker e Kai Campos, foi no dubstep e na electrónica que se deram a conhecer ao mundo. O seu primeiro disco, Crooks & Lovers (2010) está muito bem “cotado” nesse “mercado”. Daí para cá houve mais dois discos e no ano passado incorporam na banda mais dois elementos, o baterista Marc Pell e Andrea Balency-Béarn para as teclas. Chegamos portanto ao momento presente, em que temos em mãos The Sunset Violent.
Várias bandas têm conseguido o feito de equilibrar electrónica com rock, com destaque fácil para uns LCD Soundsystem, Stereolab e Radiohead e a sua “extensão” recente, The Smile. Junte-se a isto o ambiente kingkruliano, que participa em duas músicas deste disco, e temos aqui uma interessante coleção de canções, sendo provavelmente “Fishbrain” a melhor amostra a retirar do mesmo. Mas há também “Dumb Guitar” e “Shipwreck”, onde o canto suava de Balency-Béarn flutua sobre um lounge-pop obscuro, charmoso e sombrio.
A mixórdia de sonoridades que se encontra em The Sunset Violent é ampla, indo do shoegaze ao pós-rock, do lo-fi à base existencial dubstepiana da banda. Em “Empty & Silent”, canção que encerra o disco, há de tudo isto e, quiçá, ainda mais. A voz do nosso mui querido Archy Marshall fica a ecoar muito para lá dos seis minutos que dura.
Importa prestar atenção a este disco, os Mount Kimbie são claramente uma banda que faz falta nos cartazes dos festivais em Portugal deste ano.