Os Unsafe Space Garden enfrentaram Rosalía e um MEO Arena esgotado, mas no B.Leza não faltou ninguém. Entre o caos sonoro e a comunhão em palco, a banda de Guimarães apresentou O Melhor e o Pior da Música Biológica e confirmou aquilo que já se adivinhava: são ainda melhores ao vivo.
Os Unsafe Space Garden foram, provavelmente, a maior surpresa para mim no Festival Paredes de Coura de 2025. E, na altura, fiz uma promessa: à primeira oportunidade que tivesse para os ver ao vivo, não a deixaria escapar. E portanto lá estivemos, a uma quinta-feira, véspera de trabalho para a apresentação seu mais recente disco, lançado em março deste ano, que também não me passou ao lado e já ocupa um lugar cimeiro no meu top 10 de 2026.
Antes de o concerto começar, os presentes já conseguiam ter um gostinho do que aí vinha, apenas lendo os cartazes espalhados pelo palco: “se calhar viemos todos do mesmo sítio”, “faz aí alguma cena de jeito”… E eles fizeram. A banda/coletivo, composta por seis músicos — Alexandra Saldanha (voz e teclas), Nuno Duarte (guitarra e voz), Filipe Louro (baixo), José Vale (guitarra), João Cardita (bateria) e Diogo Costa (teclas e backing tracks) — apresenta-se de uma forma visualmente muito peculiar: roupas inventadas, pinturas na cara e cabelos raros. E é impossível não destacar a presença de Alexandra Cuecas, cuja presença em palco é magnética e da qual, confesso, saí ligeiramente enamorada.
Mas é a música que os define: uma espécie de caos sonoro que vagueia entre rock psicadélico, rock progressivo, pop e música tradicional portuguesa. Mais do que colocá-los em caixinhas musicais, importa a energia que transmitem em palco. Se por vezes as guitarras surgem densas e elétricas, outras vezes as teclas parecem caixas de música infantis. E assim balançavam os nossos corpos, entre o claustrofóbico e o heavenly.
Ainda que visualmente possam aproximar-se de um universo infantil, as suas letras revelam maturidade, por vezes transcendendo a própria idade da banda, com foco no humor e no absurdo para lidar com temas pesados. Veja-se a muito interessante “A Vida Não É Uma Merda”: “a vida é uma merda”, assim dizem os tones / não acredites nisso / ouve esta música.
Foram mais de dois encores, até acho que foram três, mas a certa altura deixei de contar. A verdade é que ninguém os queria deixar ir embora, e a banda acabou por deixar o mais recente disco, em português, para regressar às canções em inglês, terminando da melhor maneira, com mais de 20 pessoas em palco, acho que 20, já ficou claro neste parágrafo que sou de letras, a cantar com a banda, numa bonita simbiose entre banda e fãs.
O que se leva desta noite é simples: os Unsafe Space Garden, tal como a vida, não são uma merda. E, se são bons em disco, em palco são ainda melhores. Os lisboetas vão poder vê-los novamente, e à borla, em outubro, em mais um dia de Casa Andante na Musa.
Alinhamento:
Tás Aqui?
FKNKU
Sítios
Ser Humano
Mais Uma Voltinha
DONDE ESTA EL SUELO?
Possível Dissolução Mental das Paredes
Já Não Há Pachorra
A Vida Não É Uma Merda
Parabéns
PUM PUM PUM PUM TA TA
ISN’T THIS IDEAL?
TREMENDOUS COMPREHENSION!
Fotografias por Gonçalo Nogueira











