O concerto dos UHF no Lisboa Ao Vivo, a 21 de março, destacou-se por um ambiente intimista e uma forte cumplicidade entre banda e público.
Longe de grandes produções, a atuação ganhou na proximidade, com uma plateia composta maioritariamente por seguidores atentos, que conheciam não só os êxitos mais populares, mas também temas menos evidentes do repertório.
Apesar de António Manuel Ribeiro não ter podido aparecer de guitarra a tiracolo, devido a lesão, a banda não perdeu consistência nem presença em palco. A energia manteve-se sólida ao longo de todo o espetáculo, com interpretações seguras e emotivas que evidenciaram a experiência acumulada ao longo de décadas. Essa entrega foi correspondida pelo público, que participou de forma ativa e entusiástica.
Um dos momentos mais marcantes da noite aconteceu durante “Acende um Isqueiro”, quando a sala se iluminou com as lanternas dos telemóveis, criando uma imagem simbólica e reforçando o carácter coletivo da experiência. Foi um instante simples, mas revelador da ligação afetiva entre a banda e os seus ouvintes.
O alinhamento recusou a lógica fácil, saltou entre décadas sem pedir autorização, trouxe à superfície canções que não aparecem em playlists nostálgicas nem em compilações óbvias. E isso exige mais de quem ouve, não foi um concerto para consumo rápido, mas sim para quem quis perder-se um pouco e confiar que há qualquer coisa ali para encontrar.
Já na fase final, o encore trouxe alguns dos temas mais reconhecidos, como “Cavalos de Corrida” e “Rua do Carmo”. Nessas músicas, a reação do público intensificou-se, com muitos a cantarem em uníssono, fechando o concerto num tom de celebração. No conjunto, tratou-se de uma atuação coesa, emotiva e fiel à identidade dos UHF.
Fotografias por Miguel Alverca








