The Rita existe como a expiação carnal do ruído para Sam McKinley. Desde a década de 1990 que McKinley tem vindo a editar e a lançar numerosas cassetes e discos daquela que poderá eventualmente ser considerada uma emancipação fervorosa e dilacerante da cena harsh noise. O som revela-se disforme, acutilante, mas próximo: os registos quotidianos e desviantes figuram-se-lhe na apropriação – e consequente manipulação – das vísceras idiossincráticas em que cada homem e mulher se tem na sua relação com o sentido fenomenológico da distorção sonoro-espacial.
Em Thousands Of Dead Gods, lançado em 2006, The Rita distorce os arremessos carnais daquilo que objectivamente são os field recordings de cage divings junto de tubarões-branco. O mar, que existe para lá de tudo, retrai-se ante o excesso muscular e sem grau de proximidade sónica que a tudo incita para lá da prostração de pouca monta. Trata-se de uma única peça de 59 minutos de duração que se condensa sob uma aspereza sonora volumosa extravasada para lá dos estados de matéria de natureza indeterminada. O som retém-se sem disposição natural e ante a carga emprenhada de ruído materializa-se na parcimónia de um ideal de temperança inversa: estira-se a
humilhação sobre um estado sem características corporais, desarmónico, perturbado – o som deixa de existir, enegrece-se acima da ostentação qual ossificação desconjunta.