From the Pyre é um disco cheio de teatralidade e dramatismo, de inspiração barroca e clássica, mantendo o estilo do primeiro trabalho mas tendo também uma evolução.
O segundo disco de estúdio de The Last Dinner Party traz-nos de volta o estilo barroco, cheio de teatralidade, repleto de coros, de instrumentos, de camadas, num tom grandioso e quase épico. O novo trabalho funciona quase como uma continuação do primeiro disco (Prelude to Ecstasy) mas também se sente evolução.
Produzido por Markus Dravs, (produtor de Neon Bible, dos Arcade Fire), o disco mostra que a banda quer crescer, tornar-se maior, reforçar esta componente barroca, clássica, mas também de viagem sonora. A teatralidade está presente até na capa do disco, com vários elementos sem aparente ligação, criando grande impacto visual, além do sonoro.
A abrir temos “Agnus Dei”, onde nos encontramos numa espécie de mundo apocalíptico. É um começo impressionante que estabelece o tom. “Count the Ways” traz riffs garage e cordas impressionantes, com um forte contraste entre o cru e o elaborado. Segue-se “Second Best”, com harmonias corais que sobem para um crescendo. Em “This Is the Killer Speaking”, o primeiro single, temos uma história contada como se fosse uma peça de teatro.
Segue-se“Rifle” onde mergulhamos num tom mais soturno, com coros quase religiosos, inclusive em francês. Logo a seguir, “Woman Is a Tree” é uma espécie de hino. E depois abrandamos, com “I Hold Your Anger” e “Sail Away”, que corta um pouco o ritmo.
Em “The Scythe” a banda apresenta-nos uma canção de forte vulnerabilidade e, para fechar, temos “Inferno”, cinematográfica, com um crescendo que vai evoluindo com cada vez mais densidade até explodir num clímax apoteótico.
E voltamos onde começámos. Ouvindo o disco do início ao fim sentimos muitas semelhanças com o primeiro trabalho – mas, como já dissemos, também sentimos evolução.
Em comum com Prelude to Ecstasy temos esta teatralidade barroca e este dramatismo quase de ópera. A voz de Abigail Morris continua a estar muito vincada, cantando da mesma forma, com a mesma pujança e teatralidade. Quem ouviu o primeiro disco reconhece de imediato o estilo, a produção grandiosa e cuidada, a viagem entre o rock alternativo e as influências clássicas.
Existe, porém, um crescimento, sobretudo nas palavras e nos sentimentos que percorrem o disco. From the Pyre é um trabalho ambicioso, onde a banda se lança para novos temas, mais sombrio, nos temas, com forte simbologia, canções bem estruturadas e com forte narrativa. É uma evolução clara face ao primeiro trabalho, um passo em frente, mas sem arriscar demasiado.
Esse não sair da zona de conforto é, ao mesmo tempo, uma vantagem e uma desvantagem. Uma vantagem porque os fãs da banda vão estar confortáveis, a ouvir algo que lhes é familiar, mas melhorado; uma desvantagem porque não nos traz nada de muito diferente, e, para fãs menos dedicados, soa um pouco repetitivo, eventualmente até demasiado elaborado, demasiado teatral e estruturado, demasiado pensado.
Mas não será, no fundo, essa teatralidade exagerada, que torna este disco memorável? Uma coisa é certa: From the Pyre é a confirmação de The Last Dinner Party como uma das novas bandas a seguir com atenção.