No passado sábado, o Vortex serviu um menu completo de bandas de Roma. Um verdadeiro banquete para os ouvidos mais melancólicos e para quem gosta de contemplar (os seus) sapatos.
Juro que já esgotei os clichés e trocadilhos fáceis com o país de origem das bandas do cartaz de sábado e que irei direto ao assunto. A malta do Vortex continua apostada em mostrar-nos o que se anda a burilar por caves e garagens desse mundo fora e, desta vez, trouxe-nos um par de bandas que, para além de Roma, partilham Federico Bruzzaniti (baixista nos Krøvi, guitarrista nos Svnth) e comungam o gosto pela alternância entre andamentos fortes e momentos contemplativos.
À sonoridade Shoegaze, com a qual tendem a ser catalogados, os Krøvi acrescentam apontamentos mais próximos do Rock Alternativo dos também romanos (ainda que mais velhos) Klimt 1918 ou do Metal negro e melancólico da fase Last Fair Deal Gone Down / Viva Emptiness dos Katatonia. Lançado no dia anterior ao concerto, o álbum Love, hyperreal dominou o alinhamento da primeira atuação da noite, que arrancou aplausos sentidos e danças mais lentas do que é costume nesta sala. Agradou-me particularmente o jogo de contrastes com que os Krøvi contaminam as suas composições e que se faz sentir tanto na tal alternância, por vezes brusca, de andamentos, como também nos diferentes registos e harmonias vocais empregues.
Os Svnth pegaram no testemunho da melancolia dos seus conterrâneos, e acrescentaram-lhe doses reforçadas da intensidade que caracteriza as sonoridades mais contemporâneas do Black Metal. Notam-se semelhanças com bandas normalmente identificadas com o movimento blackgaze, como os Defheaven, sendo que, no entanto, me pareceu que nos andamentos mais lentos, a banda tendia a fugir para terrenos mais próximos do Heavy Metal tradicional, sobretudo no tom e nos diálogos entre as guitarras. Numa atuação mais longa do que tem sido costume no Vortex, o público presente não só não arredou pé como exigiu mesmo que o quinteto deixasse o resto das suas energias em palco … e tivemos mesmo direito a um tema extra em jeito de encore.

























