Stone Sour apresentaram Hydrograd no Coliseu de Lisboa com o notório júbilo autêntico com que tocam e a personalidade que arrancou sorrisos durante todo o set.
O camarote presidencial foi prontamente ocupado, e à hora marcada no bilhete a canção “I Can’t Turn You Loose”, original de Otis Redding, soava pelas colunas, perante um palco vazio de gente e com efeitos de luzes meio circenses meio feira popular.
“Whiplash Pant”s foi a música escolhida pela banda para dar início a um alinhamento que se revelou curto. Seguiu-se “Absolute Zero”, a segunda faixa do álbum House Of Gold & Bones Part 1, e aí sim, começava a festa.
Foi um alinhamento diversificado, justificadamente centrado no novo álbum, mas ainda assim com a insatisfação de quem não vê a banda de hard rock pisar terras lusas já lá vão 11 anos. A sala não estava lotada e os camarotes despidos, talvez pelo perigo do possível headbanging.
Corey Taylor mostrou-se mãos largas de elogios, que foram de: “ Lisbon you are the best fucking city, I just fucking love you” até “You are a gift!”. Mas palavras leva-as o vento e este público incrível teve direito a um só encore, tal como em todos os outros concertos da tour.
Um dos momentos altos do concerto foi, sem dúvida, o frontman que impeliu a solo “Nutshell” de Alice in Chains, e esse acalmar de ânimos dava mote para “Bother”, a música que deu a conhecer Stone Sour a grande parte do seu público. Corey aplaudia assim o karaoke em uníssono e os pés só não levantavam o pó do chão porque não há terra naquele Coliseu.
Com o tornar ao palco do baterista Roy Mayorga, do baixista Johny Chow, e dos guitarristas Christian Martucci e Josh Rand, este que voltou recentemente à banda, a carga era máxima para tocar “Tired”, que entre solos permitiu que Corey pegasse o constante canhão manual que lançava uns confettis cansados demais para um concerto rock de tal envergadura. E entre aplausos saltou mais um elogio: “You give me goosebumps. This is by far the best fucking show of this fucking tour”. Nós sabemos Corey, e nem estivemos nos outros.
Num quadro pirotécnico seguiu-se “Cold Reader” e “Get Inside”, e adivinhem: mais elogios por parte do frontman. Já vi muito elogios a serem tecidos ao público português, mas este concerto foi uma gigantesca alavanca de auto-estima.
“Rose Red Violent Blue This Song Is Dumb & So Am I” foi escolhida a dedo e dedicada ao rock ’n roll, com o mote deste poder ser qualquer coisa, de poder ser o deixar todas as coisas menos boas saírem da nossa cabeça, de ser sobre amor e conexão.
A boa disposição dos Stone Sour permitiu que fossemos presenteados com “Do Me a Favor”, música do álbum House of Gold & Bones Part 2, que não foi tocada em nenhum dos concertos que antecederam o da noite de 11 de Julho na capital.
O tempo corria à frente do metrónomo e não tardou em chegar O momento da noite. Corey Taylor convidou o filho, Griffin Taylor, de apenas 15 anos para se juntar à banda e tocarem “Song #3”, uma música que consegue combinar a letra com uma melodia sincera, e pode confortavelmente passar em qualquer estação de rádio de rock. O pai mostrava-se mais que babado e Griffin arrasou aquele palco que nem alguém mais que calejado.
“Through The Glass”, o sucesso de 2006, foi um merecido momento de conexão registado por mais de metade dos telemóveis presentes na sala, e a banda enlaçou-se de forma bonita com o público.
Antes de partirem para encore, “Love Gun” dos Kiss foi interpretada e quem não esteve presente nunca saberá o quão bom é ver Corey Taylor a imitar Paul Stanley, 12 points.
Fazem a rotineira prática da saída de palco para voltarem com uma bandeira portuguesa às costas e “RU436”, essa música que teve direito a um extra na cenografia: provocou a inflação de bonecos malucos insufláveis (aka wacky waving inflatable arm flailing tubeman) que balançavam de lado para lado durante toda a música. Esta visão caprichosa acompanhada por sons energicamente violentos resumia perfeitamente a atitude e energia de Stone Sour, uma banda de hard-rock que não se leva muito a sério para se divertir.
Para comprovar o sádico ambiente da estranha feira popular entoaram “Fabuless”, a música de todo o set que mais se aproxima do nu metal, e convidou novamente Griffin para se juntar a eles, afinal a festa faz-se em família, e de copos no ar e pirotecnia em riste, os insufláveis pareciam ser loucamente baleados por faíscas.
Tocaram uma insatisfatória hora e meia, e depois de tanto elogio parecia ter sido um concerto com uma mão à frente e outra atrás.
A voz de Corey Taylor não falhou em todo o concerto, a musicalidade que o acompanha idem, mas ainda que o chão ficasse cheio de confettis, os Stone Sour são aqueles miúdos que dão uma festa e que chamam a policia às escondidas para se poderem ir deitar mais cedo.