A Wet Dream And A Pistol não chega aos 30 minutos mas compensa com as vezes que repetimos a escuta deste disco.
Os So Dead vêm de Coimbra e desde a sua formação, em 2023, vão já no terceiro álbum. Eles são Samuel Nejati, Sofia Leonor e Miguel Padilha. Não encontro muito sobre eles ou esta banda de synth punk garage rock, mas comparações a Siouxie ou Sleater-Kinney, She Past Away, ou os mais recentes Boy Harsher e Linea Aspera, são bastante fáceis de fazer ao escutar este trabalho.
Se calhar é este o problema de A Wet Dream And A Pistol. Soa tudo bem mas não soa nada extremamente original. Com todas as canções a roçar os três minutos, ficam logo na cabeça “Push”, com um andamento implacável e uma voz mais falada que cantada. Temos logo de seguida “Creeper” com um bom uso de coros na voz e uns instrumentos de sopro saídos do hospital psiquiátrico, e um bocado mais à frente uma mistura de duas vozes com overdrive, em “They Live”, que fica muito interessante. Outra que fica também na cabeça é “Sleep Mode” com vocoder e uma letra que parece ser retirada de um anúncio distópico.
A mais agressiva de todas as canções do álbum é “I Shot JFK”, com loops, sintetizadores e guitarras em acordes inesperados que fazem dela a canção mais diferente de todas. “BDSM” transpira mil influências de underground escuro com vozes femininas. Na verdade, faz lembrar tanta coisa que nem ouso citar nenhuma para não destacar. Porque esta mistura de influências é também o que faz o álbum de So Dead merecer escutas repetidas.
É a sua força e a sua fraqueza, dependendo do nosso estado de espírito. Porque tem as guitarras rápidas e bateria implacável de uma onda mais punk, mas também o uso de teclados atmosféricos e as vozes, tanto masculina como feminina, que lhe dão variedade sonora, e ao mesmo tempo dão sempre a sensação de familiaridade que pode ser reconfortante porém cansativa.
Lançado pela editora indie portuguesa Lux Records, neste A Wet Dream And A Pistol os fãs deste estilo entre o punk, o gótico e o synth vão encontrar um disco sempre a abrir, e é certamente um trabalho que vai crescendo nas preferências e merecendo audições repetidas.