Rita & Os Usados de Qualidade é um novo supergrupo que junta alguns dos mais importantes nomes da música portuguesa das últimas décadas. A sua apresentação foi feita na Academia Dramática Familiar de Pedrouços na passada semana e ainda houve tempo para falar com o grupo.
Rita & os Usados de Qualidade é um sexteto que reúne músicos de diferentes percursos e experiências: Rita Redshoes (cantora e compositora) na voz; José Peixoto (Shish, Madredeus) na guitarra; Manuel Paulo (Ala dos Namorados, Rio Grande, Cabeças no Ar) no piano; Norton Daiello (Couple Coffee, Pedro Jóia Trio) no baixo; Ruca Rebordão (Couple Coffee) na percussão; e João Monge (poeta e compositor envolvido numa série de projectos Trovante, Ala dos Namorados, Rio Grande), na composição das letras. O Altamont esteve presente na festa de apresentação e trocou alguns dedos de conversa com a banda.

Altamont: Como nasceu o projecto?
Manuel Paulo: Este projecto nasce à volta do repertório. São canções todas com letras do João e com músicas minhas e do Zé Peixoto. Há um ano e tal, o José Peixoto e o João Monge conversaram sobre o repertório que têm em comum e sobre o repertório que eu também tenho e surgiu-lhes a ideia de pegar em algumas canções que são do domínio publico, algumas que nunca foram tocadas ao vivo, outras que nunca sequer foram gravadas, e fazer um projecto. Um dia recebo um telefonema do José Peixoto, precisamente a dizer isso.
José Peixoto: Depois de termos olhado para as canções e de onde é que elas vinham, até para os nossos percursos que também vêm de sítios diferentes, pensámos nos músicos para se juntarem a nós, foi aí que surgiram os nomes Norton Daiello e Ruca Rebordão e então tínhamos já um quarteto abrangente, multidirecional. E depois ficou o problema: faltava resolver quem é que vai cantar isto? Quem é que vai dar corpo a estas canções? Depois alguém falou com a Rita…
Manuel Paulo: Exatamente e realmente com este grupo de pessoas e particularmente com a interpretação da Rita, as canções adquiriram de facto outro (faz gesto com as mãos para cima como se estivesse a elevar alguma coisa).
Rita Redshoes: Quando recebi o convite e ouvi as canções, a minha preocupação maior era “será que eu consigo de facto cantar este repertório e também trazer alguma coisa do meu universo enquanto intérprete para estas canções?” e esse era e foi o meu maior desafio. Como é óbvio, não é? Mas como eu gosto de desafios, achei que este valia mesmo a pena agarrar.

Altamont: O que achas que trouxeste à banda?
Rita Redshoes: Não sei, para mim é difícil dizer o que é que eu trouxe, até porque há registos anteriores das canções e cada um deles estava habituado a ouvir estas canções cantadas por outras pessoas. Eu ouvi-as também, mas pensei: OK, vou ouvir uma ou duas vezes e depois vou desligar-me disto e vou cantar isto como eu cantaria pela primeira vez. Foi o que eu procurei fazer, pegar nas letras, pegar naquelas histórias, e ir buscar coisas daqui dentro e tentar cantá-las à minha maneira esperando que isso servisse as canções.
José Peixoto: Mas é curioso porque a aproximação que nós fizemos às canções foi exatamente assim, não as ouvir apenas para tirar a linha melódica, e trabalhar como se fossem inéditos.
Altamont: Esta foi a primeira apresentação da banda, o que se segue?
Manuel Paulo: O álbum que já está gravado, sairá no próximo ano, no primeiro trimestre. Depois a ideia é ir com ele para a estrada, para nos divertirmos, e comermos bem e muito, mas sobretudo divertirmo-nos. Obviamente que o nosso desejo é que as pessoas possam ser felizes a ouvir esta banda e esta música. Eventualmente será no fim do primeiro trimestre, mais ou menos a seguir ao lançamento do disco, em princípio, o concerto de lançamento está previsto para Março.

Na Academia Dramática Familiar de Pedrouços foram apresentados os temas “Salvação”, O Que É Que Tu Tens”, Há Dias Em Que Mais Vale” e “Só Penso Nisso”, este último disponível nas plataformas de streeming desde sexta-feira.
Fotografias cedidas por Reinaldo Rodrigues