Patrick Wolf regressa aos discos depois de um hiato de quase dez anos, com uma série de lados B.
Passaram dez anos desde que Patrick Wolf lançou o último disco e, durante esses dez anos, foi viciado em álcool e drogas, a mãe teve cancro, quase morreu num acidente de carro, perdeu todo o dinheiro e mudou-se para uma casa isolada ao pé da praia, onde devagarinho voltou a pegar nas suas canções antigas.
Desse trabalho de catarse nasceu este lindo disco, The Circling Sky – Selected B-Sides, um trabalho que recorda os discos anteriores do artista britânico, com canções belas mas nunca editadas, a mesma voz de sempre, todos os instrumentos presentes, do cabelo vermelho de “The Magic Position” ou “Lupercalia” e das as vestes negras e inspiração darkwave de “Wind in the Wires”.
Para quem, em 2007, quando saiu The Magic Position e depois de um excelente concerto no Sudoeste (quando ao Sudoeste iam mesmo músicos), em que Wolf se pendurou da estrutura do palco secundário, vestido como se fosse um palhaço, se apaixonou por tudo o que ele fazia – e temeu pela sua saúde, em 2011, no Alive, quando claramente alcoolizado cantou jocosamente “they were all yellowwwww” para uma plateia quase vazia enquanto o palco principal abarrotava para ver os Coldplay, este disco é um delicioso bombom. Tem tudo o que de melhor Patrick Wolf faz com o piano, o violino e as vozes em coro (“Souvenirs” ou “Penzance” são disso um excelente exemplo), indo à dream pop ou ao pop barroco, como podemos ouvir em “Tinderbox” ou “Idumea”.
Durante anos Patrick Wolf esteve em silêncio e admitiu mesmo ter, em determinado momento, desistido da música. Voltou devagar, pegando nestes temas antigos, regressou às redes sociais, criou um Patreon. Está agora em digressão (que, infelizmente, não passa por Portugal), cantando estas canções revisitadas, que soam ainda ao que antigamente compunha, mas que têm já incorporadas as aprendizagens deste multi-instrumentista de grande talento.
Sendo um disco de lados B, falta um “single”, uma música que verdadeiramente marque este trabalho, e também é pouco coerente, sem ligação entre as músicas. Mas é um lento regresso àquilo que o músico é capaz de fazer. Só podemos, então, esperar pacientemente por um novo disco.