Duas décadas volvidas, a verdadeira Mesa está novamente posta: a sensibilidade pop mantém-se, Mónica Ferraz não envelheceu um dia, acompanhando as canções numa hibernação longa, mas que nenhum valor retirou à obra.
Por ora foram dois concertos, no Porto e Lisboa, este último no Lux, presenciado pelo Altamont – resta esperar qual a ideia futura de João Pedro Coimbra e Mónica Ferraz, se repetir o momento em palcos país fora e/ou gravar novos discos ou nada disto, e apenas celebrar pontualmente o repertório passado.
Sobre esta dúvida, a noite no Lux não trouxe grandes revelações: foram cerca de 15 canções lá de trás, algumas com pontuais adaptações, mas nada de particularmente radical face ao original. A receita é simples: quem gostava, teve oportunidade de viajar ao passado, mas sempre esperançado no futuro.
Não faltou nenhum clássico, mas destacamos outros momentos: “Tele-Chuva” foi um verdadeiro portento, monumento quase punk-pop; “E Não Vai Ser Bom” foi também uma surpresa inesperada, “Mímica Sísmica” e “Fado Lunar” também não foram esquecidos.
Algures entre o trip-hop e a pop mais orelhuda (até chegou a haver um tema numa telenovela), a música dos Mesa permanece válida e imaculada. O futuro é uma incógnita, o passado é história e da marcante, o presente é de contemplação e expetativa.
Fotografias: Clara Tapadas













