Os franceses tem um dom para ser groovie. Podemos dizer que este Pulsar não é o melhor disco do grupo mas ao longo de 10 canções, é impossível não mexer o esqueleto.
Três anos depois de Tako Tsubo, este Pulsar é mais disco-funky, e nota-se a inspiração dançante dos conterrâneos Daft Punk em vários momentos do disco.
O álbum começa com uma faixa instrumental, “Cosmogenie”, que faz lembrar pôr-do-sol com cocktail na mão, e marca bem o tom dos L’Imperatrice neste trabalho. Depois de “Amour Ex Machina” encontramos um dos singles deste Pulsar, “Me Da Igual”, tema com refrão em castelhano, a lembrar o não tão antigo “Teatro Lucido” de 2021 dos La Femme.
Logo depois saltam do espanhol para o inglês com “Love From The Other Side”, uma canção que vai buscar sonoridades aos anteriores discos dos L’Imperatrice, antes de chegarmos à primeira colaboração deste álbum.
Desta vez os L’Imperatrice não aparecem sozinhos no disco e contam com várias colaborações, umas mais felizes que as outras. A primeira delas, com a italiana Fabiana Martone, soa totalmente a italo-disco, em “Danza Marilu” (não confundir com os Ena Pá 2000). A canção é muito engraçada e tem potencial para passar numa noite de bom gosto, mas a canção seguinte faz uma quebra tão grande que destoa. Com a colaboração de Maggie Rogers, uma cantora que vai buscar mais semelhanças a Lucy Dacus que às sonoridades funky e acaba por soar a uma mistura de pop com R’n’B. É o ponto mais fraco de Pulsar. Logo depois a banda tenta recuperar com “Dèjà-vue” mas fica a sensação de um trabalho partido em dois.
Quando chegamos a “Girl!” já quase nos esquecemos daquele ponto baixo e deixamo-nos levar pela voz de Flore Benguigui e o groove conjunto de Charles de Boisseguin (teclas), Hagni Gwon (teclas), David Gaugué (baixo), Achille Trocellier (guitarra) e Tom Daveau (bateria). Mesmo quase a terminar este Pulsar, deparamo-nos com “Sweet & Sublime”, com a participação de Erick the Architect. A canção não me incomodava de sobremaneira até ler a opinião de alguém que dizia que ele parecia o Will Smith no meio das canções no final dos 90, e agora não consigo ultrapassar o “rap break”.
A encerrar o disco vêm a faixa-titulo, cantada em francês e que também é uma das melhores do álbum.
No geral um disco daqueles que pode estar a tocar de fundo, sem problema algum, num bar ou espaço social com pinta, mas que nunca nos vai fazer sentir saudades de ouvir de ponta a ponta. Dá para pegar em duas canções e poder meter numa playlist de onda funky, o que já quer dizer alguma coisa.