Éme levou as suas canções ao Turim e provou que basta uma guitarra e boas histórias para fazer uma sala pequena, parecer enorme.
Éme foi um dos artistas convidado do ciclo “Cidade Escura”, uma parceria entre a Junta de Freguesia de Benfica e a agência Azáfama, com a intenção de destacar talentos alternativos da música portuguesa.
A renovada sala do Turim, uma pequena sala de cinema (apesar de apelidada de cine-teatro), tem cerca de 60 lugares. Quase todos estavam ocupados, o que é curioso para um concerto fora do círculo habitual de salas, mas nada de estranhar quando o convite é para ouvir a música, as histórias e o humor de Éme. As canções de João Marcelo, o verdadeiro nome de Éme, revelam sempre um lado da sua realidade e do seu quotidiano, sem filtros, encantando por si mesmas. Ao vivo, onde conseguimos sentir a intensidade na sua interpretação, as canções ganham outra vida.
A abrir, surgiram as “Dores Laborais”, do mais recente álbum Disco Tinto (2024), uma canção que normalmente não se escuta a solo. Mas não parou por aí: o concerto seguiu com canções que revisitaram os discos e singles mais antigos, como “Estocolmo 1984”, “Joana”, entre outras. Também fez parte do alinhamento a canção “Bullies”, editada no mesmo dia, e até uma estreia inédita — “Coiote”. De facto, não sei se esse é o nome oficial da canção, mas como foi a palavra mais repetida durante o tema, assim a batizo. Até o álbum Éme e Moxila (2022) foi lembrado, com a participação especial da sua mais que tudo, Mariana Pita, que deu um toque ainda mais especial à noite.
Já com o público conquistado, Éme regressou para um encore que fechou tudo com chave de ouro: “Disco Tinto” e “Assalto”. Éme mostrou que não precisa de grandes produções para encher uma sala: basta-lhe uma guitarra, umas piadas à mistura e canções que nos fazem bater o pé e o coração. Que venham mais noites assim.
Fotografias de Iolanda Pereira
























