Na caverna do Vortex, a alegoria é bem diferente. Aqui ninguém está distraído do que se passa lá fora! Semana após semana, a energia destilada por bandas como Dystopian Omen e Stavøld é sentida e absorvida para utilização na luta diária.
Será possível não começar esta crónica por admirar o vozeirão monumental da franzina María Banshee (que nome tão na mouche). Não, nem faria qualquer sentido! Posso até estar a correr o risco de secundarizar o resto da banda – não creio e já lá iremos – mas, não seria honesto nem justo. Esta voz é um monumento do Death Metal a reclamar por um prémio qualquer da Unesco! Os Dystopian Omen trazem-nos de Salamanca uma sonoridade fortemente marcada pelo peso e pela sujidade das guitarras de Oliver Sánchez e Nacho Rodriguez – condizentes com a crítica social das suas letras! Lá atrás, Jorge Azofra ataca as peles em modo guerreiro aditivado, enquanto em contraste Marina Garcia ostenta o seu baixo com o ar mais cool da Península Ibérica e arredores. Há notas de tecnicismo – a fazer lembrar os Death – a temperar toda esta devastação sónica e a provar que, apesar da sua juventude (formaram-se em 2019), o quinteto transpira robustez e coesão. Ao concluir um set que deixou o mais desconfiado de queixo caído, os braços e as vozes ergueram-se para entoar “Arise” dos mestres Sepultura!
Acabados de sair da garagem, os Stavøld abriram a noite e, a partir da primeira batida, foi mesmo sempre a abrir! Sem manhas e sem cerimónia! Crust e D-beat com tonalidades épicas e espírito revolucionário, que nem brave hearts do sec. XXI! Não levantaram os kilts, mas foram perdendo as vestes à medida que o calor da sala ia aumentando com o débito massivo de riffs, beats e de gritos de revolta.















