Never Exhale é uma excelente cartão de visita do vigor dos DITZ, demonstrando a sua capacidade de evoluir e inovar, permanecendo fiéis às suas raízes punk e experimentais.
Comecemos em versão wikipedia, que haverá por aí muito boa gente que nunca ouviu falar dos DITZ – são uma banda britânica formada em Brighton, Inglaterra, em 2016. A formação atual inclui Cal Francis (vocal), Caleb Remnant (baixo), Anton Mocock (guitarra), Jack Looker (guitarra) e Sam Evans (bateria). Desde o seu início, a banda tem sido reconhecida pela sua abordagem experimental ao rock, incorporando elementos de pós-punk e hardcore.
Após o lançamento do seu álbum de estreia, The Great Regression, em 2022, os DITZ andaram a espalhar a sua sonoridade em digressão, por salas pequenas e palcos obscuros de cidades europeias. Em cima disso, foram convidados a abrir para os IDLES em 17 concertos, o que lhes trouxe reconhecimento de uma audiência mais ampla. Durante este período, aproveitaram dias de folga e salas de ensaio emprestadas, para ir compondo novas canções, das quais falamos em seguida.
Never Exhale foi lançado logo em janeiro deste ano, e pegou de estaca. O título do álbum é logo por si desafiante, sugerindo uma forma “diferente” de respirar (não experimentem em casa, por favor não brinquem com a vossa respiração, é vital manterem o ritmo inspira, expira, pela vossa saudinha), e que simboliza também a energia constante que a banda mantém desde o seu início.
Depois de uma pequena introdução instrumental de seu nome “V70”, o álbum arranca verdadeiramente com “Taxi Man”, uma faixa que faz uma reflexão sobre o impacto individual no mundo, apresentando o “taxi man” como uma figura que transporta outros para diferentes destinos, cada qual nas suas viagens e momentos de vida. É uma malha pujante, com um baixo tenso, e um constante pára/arranca, e que dá logo a conhecer que tipo de banda temos pela frente. Segue-se uma rápida mas explosiva “Space/Smile” que, tal como “Smells Like Something Died in Here”, aborda temas de ódio desnecessário e divisão. Mais para a frente destacamos também “Señor Siniestro”, que cria desconfiança desde o início com a sua aparente calma, transformando-se a partir do minuto e meio, e a canção que encerra, “britney”, que dá laivos de Radiohead ou Mogwai, denunciando um novo potencial de caminho na evolução do som da banda.
Se quiseremos colocar aqui em cima da mesa algumas referências que nos vêm à cabeça, podemos dizer que os DITZ vão beber do noise rock clássico de Jesus Lizard ou Shellac, e em igual medida ao pós-punk de uns The Fall. E em Never Exhale apresentam uma excelente cartão de visita do seu vigor, demonstrando a sua capacidade de evoluir e inovar, ao mesmo tempo que permanecem fiéis às suas raízes punk e experimentais.