Dame Area, Sunflowers e Prado elevaram o Impulso à sua potência máxima. Ou quase, porque o festival continua com muitas bandas por vir e recordes por bater!
Na nossa permanente procura de ver, e mostrar, o resultado do esforço de, felizmente, cada vez mais pessoas em promover a cultura musical independente, serpenteamos por estradas secundárias do Cartaxo até às Caldas da Rainha para, 2 anos depois, voltarmos ao Impulso. Tal como nos tem vindo a habituar, o programa da oitava edição do festival é vasto e igualmente apetecível. Aliás, a quantidade e a diversidade de momentos artísticos que irão decorrer entre o passado março e o final do ano é tal, que o Impulso assumiu o registo de temporada. Espreitem e estudem a agenda, e se puderem vão até lá … nós, com toda a certeza, iremos tentar. No passado sábado, o “Pequeno” Auditório do Centro Cultural e Congressos das Caldas da Rainha compôs-se de melómanos entusiastas que acolheram as atuações de Dame Area, Sunflowers e Prado.
Depois de tanto serpentear, chegámos já os Prado tocavam! Apesar de praticamente recém formados e de ainda não terem gravado, o quinteto da capital demonstra já ter um bom e fiel conjunto de admiradores … onde, confesso, me incluo! O som dos Prado, no entanto, não é fácil … os mais incautos que se preparem primeiro. A agressividade do seu screamo moderno, saturado de hard core, contrasta com os sorrisos que se vão rasgando em cima e fora do palco. A dor é para libertar – e com muita força – parece ser o princípio que é seguido sem tréguas durante toda a atuação. Os sinais (muito) positivos detectados antes na Casa Capitão e no Vortex mantêm-se e vão até crescendo com a rodagem da banda. Queremos mais!
Queria escrever que tinha perdido a conta das vezes que já apanhei os Sunflowers depois da edição de You Have Fallen… Congratulations! no início do passado novembro, mas estaria a mentir! Sei muito bem que esta foi a quarta, não só pelas crónicas espalhadas pelo Altamont, como pelos registos bancários deixados por uma das bancadas de merch mais fixe de sempre … mas principalmente pelas marcas que deixam cá dentro tatuadas pelos cinco sentidos… e cada vez mais por um sexto que, no meio do êxtase sónico e visual, vai tentando decifrar o que viaja naquelas ondas que passam da guitarra para a bateria, da bateria para o baixo e restantes arranjos que se conseguem encontrar entre os três instrumentos. Maravilhoso … só não sei se mais ou menos que o trio de vozes mais cool da atualidade … mas, felizmente, também não é preciso … porque eles vêm juntos no mesmo pacote. Obrigado Carolina, obrigado Carlos, obrigado Fred.
A dupla catalã composta por Silvia Kostance e Viktor L. Crux pega na agressividade dos Prado e na intensidade dos Sunflowers e multiplica-as pelo número máximo de bpm que os seus sequenciadores e restante maquinaria permitem. Por falar nisso, assim que puderem vão lá escutar “dança” – a malha resultante da fusão entre Máquina e os Dame Area! Voltando às Caldas e à multiplicação, confesso que a experiência no Sonic Blast do verão passado não me preparou para a atmosfera quase opressiva (não me estou a queixar, que fique explícito) que a dupla é capaz de produzir num espaço fechado. Se eles mal param em cima do palco – rodando botões, agitando baquetas ou gritando ao microfone – o público, esse não descansa um milisegundo. Há dança, há mosh e há até quem não se consiga controlar no frenesim eletrónico sincopado por explosões tribais. Tenho a noção de que tal como opressivo, extenuante não é propriamente um adjetivo simpático … mas imaginem que ambos distorcidos e acelerados pelos sequenciadores, batidos nas peles eletrónicas e cuspidos a 100 à hora nos micros se tornam intrigantes, belos e viciantes. É mais ou menos assim um concerto dos Dame Area.
Fotografias de Rui Gato




































