Hoje quero colocar em cima da mesa um tema interessante – as covers. Acho que é um tema que gera opiniões contraditórias, discussões acesas e que não levam a lado nenhum, portanto de muito interesse para este blog. As covers. O que não falta para aí são covers más e desnecessárias, portanto vou optar por focar nas que têm alguma importância no mundo da música e que realmente adicionaram alguma coisa à versão original de uma música.
Nos anos 60/70, penso que não havia um conceito muito claro quanto a fazer covers, existiam muitas versões de músicas escritas por outros, que se reproduziam sem complexos, e das quais as que me aparecem logo na memória são:
“With a Little Help From My Friends“, Joe Cocker, original The Beatles
“All Along The Watchtower“, Jimi Hendrix, original Bob Dylan
“Blowin’ in the Wind“, Joan Baez , original Bob Dylan
“Wild Thing“, Jimi Hendrix, original The Wild Ones
“Respect“, Aretha Franklin, original Otis Redding
“Twist & Shout“, The Beatles, original The Top Notes
“Gloria“, Patti Smith, original Them
“I Fought the Law“, The Clash, orginal Sonny Curtis & The Cricketts
Nos anos 80, com certeza que houve muitas covers, mas não tenho nada registado no chip, sendo que na década seguinte há alguns casos bastante interessantes:
“Mrs. Robinson” Lemonheads, original Simon & Garfunkel
“Knockin’ on Heavens Door“, Guns N’ Roses, original Bob Dylan
“Hallelujah“, Jeff Buckley, original Leonard Cohen
“Easy“, Faith No More, original Commodores
“The Man Who Sold he World” Nirvana, original David Bowie
A nível mais pessoal acrescento algumas que os Pearl Jam nos ofereceram, como “Crazy Mary“, original Vanessa Williams; “Baba O’Riley“, original The Who; “Sonic Reducer“, original Dead Boys (ai de quem me vier falar de Last Kiss….)
Mais recentemente, já no século actual, os Nouvelle Vague dedicaram-se, com algum êxito, a fazer covers de músicas sobejamente conhecidas e têm algumas boas versões (“Ever Fallen in Love?“, original The Buzzcocks; “In a Manner of Speaking“, original Tuxedomoon; “I Melt With You“, original Modern English) e destaco também os Killers, com a sua versão de “Shadowplay“, original Joy Division.
Todas estas são referi são, na minha opinião, grandes músicas e que acho merecem figurar como parte da História da música. A diferentes níveis bem sei, mas como boas amostras de como é possível pegar em criatividade alheia e levá-la a outro nível, que, no fundo, é disso que se trata.
Agradeço opiniões sobre o tema, lembretes para covers que me poderão ter passado e afins, aqui em baixo na caixinha dos comentários. Ou então não, leiam só e vão à vossa vida! Enjoy!
A bela cover dos 10.000 Maniacs http://www.youtube.com/watch?v=H14R4ZsMM0E&feature=PlayList&p=50DABDFE68B9FB84&index=0&playnext=1
da maravilhosa original Because the Night, de Patti Smith
http://www.youtube.com/watch?v=aq7K_tb31Iw
Soberbo
Fredo, que padreco da tua parte… Os originais como a religião ortodoxa que não pode ser tocada…
Tenho várias reservas em relação às covers. Mas é preciso ir por pontos.
1ºCovers que não trazem nada de novo à música original.Ex:Robbie Williams com covers dos Queen. Live and Let Die,There she goes,don’t dream it’s over. Se enquanto os guns têm um grande reportório de originais, sendo a Live… apenas uma cover ou homenagem, já os Sixpence none the ritcher fazem um ano ou mais de sucesso à conta de duas covers, nem trazendo nada de original à musica original. Ou seja não precisámos destas para NADA.
2ºBandas ou músicos que pegam num tema que lhe diz tanto e lhes dão um cunho tão pessoal que essa cover passa quase a ser o original.
Ex:Jimi Hendrix-All Along…,Nirvana-Love Buzz e Man who sold the world,Faith no More-Easy,George Harrison-If Not for you,Jeff Buckley-Hallejuah.
3ºBandas ou músicos que desgraçam os originais
ex:Limp Bizkit – Behind Blue Eyes e Wish You Were Here, Oasis – I am the Walrus, etc…
4ºBandas ou músicos que pegam nas músicas e as levam para outros campeonatos.
Ex:Nouvelle Vague.
Eu à partida sou contra as covers. Porque por muitas vezes perde-se a noção dos originais. Muitos fazem-se passar quase como originais. Se for para uma colectânea, álbum ou concerto ao vivo, gosto de ouvir uma boa cover. Fazer singles com covers, à partida sou contra.
Podem levantar-se duas questões: o pagamento (ou não) dos direitos, e a satisfação (ou não) com o resultado final. Na primeira não me meto, cada um deveria ser livre de cobrar o que lhe parecer razoável pela sua criação.
Na que toca à segunda, caros compositores, deixem-se de merdas. A partir do momento em que fica em mãos diferentes, uma música não ganha uma vida nova, ganha mais uma vida – independente da original, apenas nascida da sua semente. E se nascer daí um sucesso que faria o compositor vomitar, ele que se lembre: ninguém tem autoridade para ditar o gosto dos outros e a verdade é que a sua criação fez mais gente feliz.