Cada fim de tarde no Vortex é único. Os Buenos Vampiros vieram do outro lado do Atlântico e os Frame do outro lado da rua para nos mostrar o que se anda a fazer pelas garagens deste nosso Mundo!
Quando era miúdo era viciado em rádio. Papava tudo, de música à conversa, passando pelas notícias. Nessa altura, a TSF tinha um slogan fantástico “Por uma boa história vamos ao fim da rua, vamos ao fim do Mundo”. Pode parecer que não, mas esta frase veio-me à memória a propósito da última noite no Vortex – cada vez mais, o local de eleição para irmos conhecendo a música que se faz pelo underground local e internacional.
Troquemos, por conveniência da narrativa, a ordem. Comecemos pelo (fim do) Mundo! Se já visitaram estas breves “crónicas” que insisto em fazer da Cave mais fixe de Lisboa (como cunhou o Mestre Pedro Roque), com muita certeza que já terão passado por referências a bandas oriundas de vários países, sobretudo do continente Europeu e da América do Sul, que normalmente no início ou no fim das suas extensas digressões europeias têm vindo a ser acolhidas pelo Vortex! Os Buenos Vampiros não chegaram propriamente do fim do mundo. Ainda que argentina, a cidade de origem da banda, Mar del Plata, está bem mais perto de nós e as (suas) paisagens não são assim tão diferentes daquelas que conhecemos da nossa costa. Pelo menos para mim, essa luz contrasta bem mais com a escuridão e a revolta da música e da atitude que pudemos apreciar naquela noite de sábado! O post-punk dos Buenos Vampiros parece assente nas belas melodias e harmonias que vão sendo tricotadas pelas guitarras e pelas vozes. O som é menos agressivo e pesado do que estamos habituados a ouvir no Vortex e apesar ou, às tantas, por causa disso … enche a sala e conseguimos ouvir quase todas as camadas sónicas com que o quarteto compõe as suas canções. Encantado com o recém editado El Último Disparo, confesso que fui muito agradavelmente surpreendido por uma entrega mais punk do que post. O negrume gótico estava lá todo e a correspondente candura também, mas ganhámos todos, e muito, com as ganas destes bons vampiros.
Passemos agora ao “fim da rua” ou a como o Vortex vai dando ninho e aconchego a projetos acabados de sair de garagens vizinhas ainda que num estado muito embrionário. Como já são muitos os casos, venho hoje destacar apenas os Adoro Protocolo que passados pouco mais de seis meses depois de cá tocarem, estavam a ganhar o prémio principal do festival Emergente. A atuação dos Frame trouxe-me um pouco à memória essa noite com os Adoro Protocolo, muitas ideias, irreverência, um pouco do passado e muito de presente, liberdade estilística e, perdoem-me se soar condescendente, ainda muitas horas de garagem em falta. É certo que o caminho ainda agora começou, mas ainda bem que se colocaram nele e ainda bem que colectivos como o Vortex ou a Disgraça vos (nos) abre a porta! Muita força, meus caros!
Fotografias por Rui Gato.



















