Num Coliseu esgotado, Beth Gibbons deu um concerto onde o tempo pareceu suspender-se e onde o público se rendeu, sem reservas, a uma das vozes mais emblemáticas das últimas três décadas.
O Coliseu de Lisboa recebeu Beth Gibbons de casa cheia, provando que nem a inflação sentida no preço dos bilhetes demove um público fiel de ver a sua rainha ao vivo.
Ao centro do palco, sozinha e descalça, Beth Gibbons surgia com a sua postura inconfundível. Só faltava o cigarro na mão para recriar a imagem icónica gravada na memória de todos os fãs de Portishead, o registo Roseland NYC Live. Mas a voz que antecedera o início do concerto já avisara: fumar estava fora de questão.
Curiosamente, da plateia, as luzes misturavam-se com o fumo das máquinas, disfarçando possíveis transgressões e evocando a nostalgia desses longínquos anos 90.
Sete músicos acompanhavam-na, preenchendo o palco com camadas sonoras de baterias profundas, sintetizadores, guitarras, violinos e metais. Mas, apesar do aparato, por vezes esquecíamo-nos de que ali estavam, tal era a força da presença frágil e, ao mesmo tempo, avassaladora de Beth.
O alinhamento percorreu o repertório a solo e incluiu momentos do disco com Rustin Man, Out of Season, mas foi já no encore, com os aguardados “Glory Box” e “Roads”, que o Coliseu explodiu em êxtase. Telemóveis erguidos, pedidos de silêncio — aquele carismático “shiuuuuuu” — mostravam que gostamos de Beth, mas gostamos ainda mais da Beth dos Portishead.
A artista agradeceu vezes sem conta. À saída, havia quem dissesse que passaria horas apenas a olhar para ela em palco, mesmo sem música. Haverá melhor testemunho do carisma e talento de Beth Gibbons?
Fotografias: Francisco Fidalgo













