O que diria Zé Pedro aos 22 anos, na plenitude da sua atitude punk, ao saber que, depois da sua morte, receberia uma homenagem de Marcelo Rebelo de Sousa, Ferro Rodrigues e António Costa, as três maiores figuras do Estado em 2018?
Talvez se sentisse acarinhado, por tão genuíno gesto. Ou talvez se sentisse violado; um aproveitamento político?
Não sei o que diria Zé Pedro. A meus olhos, qualquer homenagem decente ao “homem do leme” é, e sempre será, justa. Ele foi um dos grandes do rock nacional.
Mas depois João Ribas segreda-me ao ouvido: “Gostam muito de falar / Aparecer em público / Na televisão / Mantêm o povo estúpido / Com sorrisos de enfeitar / Não dizem nada de novo / Posam para a fotografia / Sorriem para o povo.”
Afinal, vivemos na era da viralidade: seja numa vista de Estado à Casa Branca ou à Bela Vista, há que criar momentos partilháveis. Não é, Marcelo?