Entre guitarras que perduram, vozes adocicadas e um público rendido, os terraplana trouxeram a Lisboa o seu shoegaze melancólico e um rock sem floreados, numa noite quente de domingo no Sótão da Casa Capitão.
Os terraplana, assim, escrito com minúsculas, são uma banda brasileira de shoegaze que trouxe consigo uma melancolia intensa para contrapor com o quente que fazia sentir naquela noite de domingo.
A banda de Curitiba anda em mini tour mundial, que arrancou dias antes pelo Festival Vodafone Paredes de Coura, com várias datas marcadas pela Europa (Irlanda, Reino Unido, Paris e Berlim). Para marcar a presença em Lisboa, a Casa Capitão foi o sítio escolhido e, achamos nós, humildemente, que o Sótão, com a suas luzes quentes e espaço íntimo, foi uma boa escolha.
A banda de Stephani Heuczuk (baixo, vocal), Vinícius Lourenço (guitarra, vocal), Cassiano Kruchelski (guitarra, vocal) e Wendeu Silverio (bateria), encheu o Sótão com um público muito efusivo e feliz (particularmente efusivo nas palmas e assobios), contrapondo com uma certa timidez da própria banda (“é shoegaze, totó”).
A voz adocicada de Stephani cria um contraste certeiro com o peso dos pedais, as guitarras e uma bateria sempre on point. Notámos que as vozes (sobretudo a de Stephani, mas também a de Vinícius), não se sobrepõem à restante sonoridade, mas funcionam precisamente com peça fulcral do todo. Eu sei, parece um cliché, mas isto não funciona com todas as bandas e é refrescante quando o assistimos ao vivo, porque é aqui que a banda ganha força.
A banda passou pelos seus dois álbuns (natural de 2025 e olhar para trás de 2023) e mostrou-nos um rock bem esgalhado, sem grandes floreados, fluído, mas com espaço suficiente para que cada elemento respire e contribua para o todo.
No final, ficam sobretudo as guitarras ainda a ecoar, a energia de um público claramente conquistado e a sensação de termos assistido a uma banda promissora, ainda a descobrir a dimensão daquilo que pode fazer.
À saída, uns fãs resumem tudo de forma bastante mais simples do que esta review: “muito foda, meu”. E, honestamente, é difícil acrescentar muito mais.
Setlist
salto no escuro
desaparecendo
conversas
olhar para trás
todo o dia
amanhecer
snc
memórias
hear a whisper
cais
me esquecer
charlie
airbag
morro azul
Fotografias por Rui Gato















