Dois trios mais do que poderosos foram até ao Cartaxo para uma mais uma sessão de degustação de Groove. The Black Wizards e El Saguaro raptaram-nos os sentidos durante a noite, para mais tarde os devolver bem nutridos e acarinhados.
Já tentaram traduzir Groove para português? Eu confesso que tentei e não consegui. Aliás, não só aposto em como não terei sido o único, como desconfio fortemente que a malta das Cartaxo Sessions terá feito a mesma pergunta e, percebendo muito da fruta sónica, cedo desistiu de exercícios pseudo científicos e partiu para a prática. Precisamos de sentir a coisa e para isso, que tal dois bandões para a transmitir? The Black Wizards e El Saguaro puseram-se a caminho e foi precisamente isso que fizeram … mesmo! E mesmo bem!
Os El Saguaro são um power trio luso-brasileiro que tem progressivamente arrebanhado adeptos na redação do Altamont. Depois de, em 2025 os apanharmos no Itenerance Fest (a norte) e no Tokyo (em Lisboa), o seu EP de estreia Enthusiecstasy mereceu inclusivamente uma visita guiada do nosso ilustre Tiago Freire. O entusiasmo colectivo da redação é tudo menos injustificado. A banda até pode ser jovem, mas os moços – Lucas (guitarra e voz) e André (baixo) e João (bateria) – são músicos feitos e bem rodados. Como alguém gritou, às tantas, no meio da audiência, os El Saguaro tornaram o Cartaxo num belo deserto psicadélico por onde viajámos sem aditivos para além dos coloridos delírios sonoros deste trio maravilha e, claro, de toneladas de groove.
Aos primeiros acordes dos TheBlack Wizards somos sugados do deserto por uma força magnética imensa para uma cápsula escura com uma bela claraboia que nos permite adorar as estrelas enquanto somos enfeitiçados pelos magníficos tons da guitarra da Joana Brito e do Rickenbacker do Zé Roberto, manietados pela magia rítmica da bateria da Deusa Lena Peixoto e conduzidos pelos cânticos destes feiticeiros. Não se preocupem, uma das várias façanhas dos meus queridos Rush foi ter dado cabo dos maléficos dos Templos de Syrinx. Desde então, ganhou a criatividade elétrica e a irreverência melódica! Não se preocupem, parte II … a voz da Joana é bem mais fácil de entrar que a do Geddy Lee.
Apesar de mais de uma década de existência, tem sido muito mais difícil de apanhar este trio em palco do que os meus sonhos sónicos poderiam fazer crer, uma vez que fiquei enfeitiçado logo à primeira – no já demasiado distante Capote Fest de 2023. Será que será desta que o enguiço se quebra? As noites do Cartaxo tendem a ser um bom augúrio … isso e há um novo disco à vista. O quarto longa duração da banda – Force Majeure & The Acts Of God – tem edição prevista para o início de setembro, e ocupou mais de metade do alinhamento desta noite … deixando-me a salivar mais do que a matilha do Pavlov. Se acham exagerada a descrição, não esperem por setembro, vão já às plataformas espreitar os singles “Killing the Buzz” e “Loose”. Não se irão arrepender!
Fotografias de Rui Gato

























