Na nossa primeira visita do ano ao Vortex, Prado e Roy Batty trouxeram-nos a boa esperança de que se a coisa ficar mesmo feia cá em cima, teremos sempre o underground!
Há para aí uma série televisiva que, mal resumido e pior contado, coloca os seus heróis em aventuras num submundo assustador e virado do avesso. À medida que a nossa realidade se vai aproximando dos cenários distópicos de outros argumentos ditos ficcionais, as nossas caves e o nosso underground musical parecem querer oferecer-nos uma centelha de esperança e crença na espécie humana… ou, pelo menos, um escape!
Depois de três meses mais complicados, a minha agenda decidiu finalmente alinhar-se com a do Vortex e tal não poderia ter acontecido em melhor altura. No cardápio, uma banda que queria muito rever e outra que queria muito conhecer. Comecemos, tal como a noite, por estes. Os Roy Batty, que para atrapalhar esta narrativa mal amanhada foram buscar o nome ao mau da fita do Blade Runner, são um quarteto do Pinhal Novo com um EP homónimo editado no final do ano passado.
Partindo de uma forte estrutura sónica post-hardcore/screamo – tão bem explorada, por exemplo, pelos seus vizinhos Hetta – os Roy Batty enriquecem as suas composições com elementos noise, pedaços quase metálicos e alguma sensibilidade melódica … quase quase post punk. E sim, estes “quases” todos são mesmo cobardia minha, com medo de ofender os moços com as impressões dos meus veteranos ouvidos. A atuação do encapuçado “…” na voz, João Cunha (guitarra), Pedro Faria Cunha (baixo) e Fishbonn (bateria) foi intensa, convincente … e soube-me a pouco. Mas aí a culpa é novamente minha! É que não me deixando amedrontar pelo estrilho das sonoridades mais extremas, o meu processador do século XX precisa de algum tempo para as escavar, tentar dissecar e, sobretudo, deixar-se encantar. Para isso, precisa de repetidas audições e sucessivos concertos. Fiquei a precisar e a querer outro.
Exatamente a mesma sensação com que fiquei no fim do ano passado quando conheci os Prado. E aqui o “problema” ainda é maior porque o jovem quinteto ainda não tem nada gravado que eu possa ouvir repetidamente em casa para estudar a minha lição. Fica o prazer de os ouvir novamente em cima de um palco, fica o prazer de os ver, fica o prazer de me deleitar com a reação de um Vortex praticamente cheio. Música super pesada e agressiva, letras que adivinho igualmente duras … e a malta toda super feliz! Lindo!
Mati e Didi vão dialogando com recurso a mudanças de registo, intensidade e agressividade … e principalmente muita pica e apoiadas por belíssimas camadas sónicas tecidas por Zé, Vouga e Patrício no tripé maravilha da música moderna! Quando é o próximo concerto, mesmo?

























