Desafiámos os nossos escribas a fazer a difícil escolha de selecionar um álbum, uma banda/artista, uma música, um concerto e um artigo escrito no altamont que os tenha marcado, nestes últimos 20 anos. Poderão vê-las no decorrer das próximas semanas, aqui e na nossa página de instagram.
Uma banda / artista: The Weather Station
Poderiam ter sido os War on Drugs, talvez a primeira grande paixão que tive entre artistas e bandas da minha geração (entre 2008 e 2014, três álbuns que conheço de cor). Ou Kendrick Lamar (primeiro álbum em 2011, cinco álbuns portentosos de 2012 em diante). Ou Kevin Morby, um amor com mais de uma década. The National (Alligator é do ano em que o Altamont nasceu, Boxer veio logo a seguir). Tantos mais. Mas ninguém me acompanhou tanto como The Weather Station. Primeiro um segredo (All of It Was Mine, Loyalty), mais recentemente, em 2021 (Ignorance), a confirmação: é e será sempre A minha artista
Um álbum: The Weather Station – Ignorance (2021)
Talvez só Lost in the Dream (The War on Drugs) tenha tido similar impacto em mim: é um disco de um classicismo intocável, um álbum estrondoso, daqueles que, estou certo, serão considerados canónicos dentro de 50 anos. Quando se escreve e canta como The Weather Station faz neste disco, o mundo abranda e fica bem melhor. Um retrato poético da incerteza e da angústia perante o futuro.
Uma canção: “4 Your Eyez Only”, J. Cole
Pratica(mente) saiu em 2006, Late Registration em 2005, Kendrick Lamar reinou na última década e meia e Allen Halloween deu-nos A Árvore Kriminal em 2011 e Híbrido em 2015. A explosão do hip-hop nas últimas duas décadas é estrondosa e o género acompanhou-me desde a adolescência. Mas emocionalmente, nenhum álbum teve tanto impacto em mim como 4 Your Eyez Only (2016) de J. Cole. E nenhuma canção me impressionou tanto, me fez viajar tanto pelas letras e sonhos, quanto o tema que deu título a esse disco, quase nove minutos de rap e do melhor storytelling que é possível encontrar.
Um artigo: Jessica Pratt, On Your Own Love Again
Por vários motivos: 2015 foi o ano em que tive mais tempo livre, o ano em que pude dedicar mais horas, dias e semanas ao Altamont, um ano definidor pela música toda a que então acedi e pelo exercício contínuo de refinar e apurar a escrita sobre música. Mas poucos textos me deram tanto prazer quanto este, sobre um disco que me ocupou a cabeça e o coração durante um longo período e que, no início de março de 2015, pouco mais de um mês depois do álbum sair, me deu um prazer que só nós, melómanos, conhecemos na plenitude: a paixão de partilhar música boa, e pouco conhecida, com alguém.
Um concerto: Kendrick Lamar – MEO Arena (Super Bock Super Rock), 2016
A impressão de ver o artista certo no momento perfeito leva-me a eleger este concerto como inesquecível. Houve muitos outros (o dos Spiritualized em Paredes de Coura, por exemplo, ainda hoje me arrepia) mas ouvir Kendrick depois de To Pimp a Butterfly (2015) foi uma experiência inesquecível. Depois disso, tudo mudou: a formação de palco, a forma como se apresentava ao vivo, tudo.