Desafiámos os nossos escribas a fazer a difícil escolha de selecionar um álbum, uma banda/artista, uma música, um concerto e um artigo escrito no altamont que os tenha marcado, nestes últimos 20 anos. Poderão vê-las no decorrer das próximas semanas, aqui e na nossa página de instagram.
Um álbum – Amy Winehouse – Back to Black (2006)
Soava a soul clássico sem soar a velho, a voz era de negra grande, mesmo sendo branca esquálida e as letras carregavam honestidade, mesmo que tudo parecesse demasiado bom para ser verdade. No começo do século, Amy Winehouse apareceu e desapareceu. Deixou pouca música, mas um carimbo suficientemente forte para que ninguém se esquecesse.
Uma canção – “Também Sonhar” – Slow J
É de 2019, You Are Forgiven, o disco que me encantou aos primeiros segundos (mérito da Sara Tavares) e que desfez as dúvidas sobre o caminho que Slow J começava então a traçar. Hoje, recordo “Também Sonhar”, a música que nunca fez tanto sentido como hoje. Será por, já apertado na barriga da mãe, ter sido do Slow J o primeiro concerto do meu José.
Um artigo – Art Blakey and the Jazz Messengers – The History Of
A minha história com o best of do Art Blakey terá sido dos primeiros textos que escrevi para o Altamont. E tudo me apanhou de surpresa. O disco agarrou-me à primeira música e fez-me fã de Jazz, o artigo abriu-me a porta a um grupo de amigos para a vida. Por isso, e também porque ninguém devia passar pela terra sem ouvir a Moanin, aqui fica.
Um concerto – Rage Against the Machine || Alive (2008)
Lembro-me da sirene que anunciou a entrada em palco. Lembro-me de os ver vestidos como os presos da infame Guantánamo, lembro-me de os ouvir dedicar uma música a José Saramago. Lembro-me que fecharam com “Killing in the name of”. Foi em 2008, no Alive, e a t-shirt, da “Battle of Lisbon”, ainda resiste cá por casa. Na memória ficou o melhor concerto de rock que alguma vez vi.
Uma banda – LCD Soundsystem
Escolher uma única banda para os 20 anos de vida do Altamont é uma missão tão ingrata como impossível de realizar satisfatoriamente. Do rock ou do hip hop? Mainstream ou uma daquelas pérolas que só os doentinhos que conhecem de cor o Alta Fidelidade ouvem? E tem de ser internacional? E Jazz, vale? Não vale e o valor das pérolas obscuras nunca será devidamente reconhecido. Por isso, escolho uns rapazes que nasceram ao mesmo tempo que o Altamont, no já longínquo 2005, ano em que puseram os Daft Punk a tocar em nossas casas e que pouco depois nos presentearam com Sound of Silver, os LCD Soundsystem.