Se no mês passado, a coisa já tinha aquecido … a sessão de novembro acendeu a fogueira num Cartaxo a sentir os primeiros sinais do Outono! O Centro Cultural do Cartaxo estava praticamente cheio para receber os Wyatt E. e os Zero Massive numa noite que dificilmente esqueceremos.
Diz a malta com mais voltas ao Sol que o tempo anda diferente – os cientistas também, mas isso seria outra conversa. Ainda assim é Outono, já se pedem castanhas assadas, um casaco a cobrir a t-shirt comprada no concerto anterior e algum espírito nostálgico para condizer com as folhas no chão e as noites mais longas. O negrume dos Wyat E. carregado de peso tanto no som como na estética e na narrativa caiu ainda melhor que um bom digestivo a acompanhar o café depois de um belo jantar ribatejano. Eles podem ser apenas três, mas soam pelo menos ao dobro … a imponente parafernália de equipamentos que ocupa o palco não está lá apenas para impressionar os nerds dos pedal boards, mas para encher a sala de uma aura mítica e de um imenso cobertor sonoro que não deixa nem a cabeça nem os pés de fora. Lançado no início deste ano, Zamāru Ultu Qereb Ziqquratu Part 1 é o quarto álbum destes belgas fascinados pela mitologia mesopotâmica e pelo Drone Metal em partes iguais. As influências orientais transcendem a estética, os nomes das canções e o espírito global da banda e estende-se também à sua sonoridade, principalmente nos ritmos que enriquecem a habitual austeridade do estilo. Os temas são longos e parecem transcrever uma espiral que lentamente envolve a excitação do público num novelo mágico de transe e deleite sónico! Há quem dance, há quem feche os olhos e há quem paire … a viagem é colectiva, mas no fim cada um sabe o que leva para casa. Que experiência!
A noite arrancou com outro power trio instrumental. Tal como descrito para os Wyat E., os Zero Massive imprimem às suas composições um forte carácter temático. Inspirada pela história e pela geografia, a banda portuguesa encontrou no Mar a sua musa inspiradora, o que é muito fácil de sentir por uma dinâmica muito próxima das correntes mais progressivas do Rock mais pesado – alternando tempos ao ritmo das marés, jogando com luz e sombras ao sabor dos mergulhos. O som dos Zero Massive envolve-nos. Primeiros somos levados por melodias apelativas e ritmos contagiantes – há sinais de sobra de que aqueles três músicos andam a ouvir muito e bom Heavy Metal e Hard Rock há já alguns tempos – mas o que verdadeiramente nos puxa são as misteriosas e fantásticas texturas que Pedro Porto Fonseca consegue sacar da guitarra! O primeiro, e homónimo, disco da banda foi lançado no ano passado fazendo muito boa companhia às belíssimas edições de duas bandas que (também) tive a oportunidade de ver e ouvir em edições anteriores das Cartaxo Sessions: Awaiting the Vultures e Astrodome. Mais uma bela descoberta dos nossos amigos do Cartaxo que vale a pena explorar e ir acompanhando.
Fotografias: Rui Gato

























