O disco de estreia de The Whitest Boy Alive passou debaixo do radar no meio da explosão indie mas envelheceu bem.
Quando os The Whitest Boy Alive surgiram com Dreams, disco de estreia, em 2006, o panorama indie sentiu uma pequena agitação. Havia aqui qualquer coisa de diferente, de interessante, esta mistura eletrónica, urbana, misturada com guitarra e bateria mas dançável e a explorar novos territórios.
A notoriedade também foi impulsionada por termos liderar o projeto Erlend Øye, conhecido sobretudo pelo seu trabalho nos Kings of Convenience. Contudo, havia tanta coisa a acontecer no indie nesta altura, desde o surgimento dos Arctic Monkeyws e Bloc Party (e outros dentro do mesmo estilo), um novo disco de Belle And Sebastian, as ondas de choque dos Arcade Fire ou a explosão de LCD Soundsystem e até outras sonoridades mais eletrónicas que surgiram na altura (Hot Chip ou The Rapture) que este disco acabou por passar debaixo do radar. Contudo, 20 anos depois do seu lançamento é impressionante como continua a soar bem, atual, bem produzido.
Dreams constrói-se sobre bases rítmicas simples, linhas de baixo repetitivas e uma eletrónica suave mas que fica no ouvido. Há uma clara inspiração techno de Berlim, de onde a banda é originalmente, misturada com pop e uma enorme subtileza nos instrumentos.
A abrir temos logo “Burning”, talvez a faixa mais conhecida e a preferida desta que vos escreve (voltou a estar este ano na lista das minhas músicas mais ouvidas). Gira em torno de um ritmo constante que vai crescendo, com uma bateria ritmada, minimalista, até à guitarra do final, em ritmo quase hipnótico.
O disco vai avançando com “Golden Cage”, “Fireworks” e “Gone With You”, seguindo esta linha, até chegarmos à bonita “Don’t Give Up”, mais indie que eletrónica, com um groove envolvente, cheio de tensão que não chega a ser libertada. É uma canção muito bonita, com várias camadas, introspetiva, mas também leve, como, aliás, todo o disco.
Nada em Dreams soa excessivo: cada elemento parece cuidadosamente colocado, deixando espaço para a música respirar. Todo o disco é marcado por melodias simples, letras ambíguas e um groove constante que convida tanto à pista de dança como à escuta solitária. A fechar temos “All Ears”, mais uma faixa suave, de guitarra dedilhada bem presente, em harmonia com o resto do disco.
No seu conjunto, Dreams é um álbum coeso e de audição fácil. Não é um portento, mas envelheceu bem, mostrando ser capaz de resistir no tempo, marcando de forma discreta o indie eletrónico da década de 2000.