Por entre a penumbra de uma noite de calor em pleno Outono, a proposta é abanar os corpos e deixar-se levar por entre as notas, batidas, synths e guitarradas do darkwave, gótico e post-punk. Foi assim que nos sentimos neste concerto.
Tempers, projeto nova-iorquino outrora em formato duo por Jasmine Golestaneh e Eddie Cooper, é agora levado apenas por Jasmine. A história deste projeto já dura desde 2013, com Services a sair em 2013. Este regresso a Portugal, novamente pela mão da Crowdmusic depois do concerto de 2022 no Musicbox, apesar de tímido e de uma casa longe de encher, provou que quem veio fez-se ouvir, dançar e cantar.
A máquina de fumos começa a deixar aquela neblina capaz de ocupar uma sala, ora não fosse o tom do espetáculo que se seguia caracteristicamente apropriado. O formato de apresentação continua a ser em duo, mas a liderança cabe precisamente a Jasmine. O mote é a apresentação do novíssimo disco, Delusion, de Abril deste ano. Mas não é por isso que as faixas mais antigas ficam de parte, ora não fosse bem no início do concerto sermos atirados para a “Hell Hotline” de Services, como até saltarmos para paragens mais recentes de 2022 com a potente “Unfamiliar”, saída de New Meaning.
Luzes potentes, com mix de projeções para tornar toda a performance mais imersiva. A tonalidade meio misteriosa com cada batida e cada voz por vezes leva a que o público feche os olhos e deixe-se levar. Não sendo necessariamente de pular, mas de abanar ora mais intensamente, ora mais suave. Até porque, o próprio espetáculo foi de abrir, para acalmar, para fechar em cima, se é que isso possa fazer sentido. A certo ponto deu vontade de circular pela sala para perceber qual era o sentimento que pairava pelo ar, e o que é certo é que ninguém ficava indiferente, cada pessoa mexia-se da sua forma, o que é bastante libertador.
Pelo meio, é puxada a malhona orelhuda “Who Says”, precisamente do último disco. Nota-se bem a presença de Jorge Elbrecht, produtor do disco, também conhecido por colaborar com Japanese Breakfast, Wild Nothing ou Hatchie.
Por aqui já estávamos bem embrenhados, tanto que o concerto passou a correr. Ainda passamos por “What We All Get”, ou a pesadona “Guidance” de Private Life de 2019. O público pede mais, e temos mais uma para fechar: “What Isn’t There”, novamente de 2013, para terminar num modo algo poético.
Assim se passou quase uma hora. Saímos de coração cheio, mas com um sentimento que podia ter sido mais. Ficávamos, à vontade, mais meia hora a dançar e navegar por cada nota e cada batida. Mas às vezes devemos apreciar a efemeridade destas vivências.
Texto: Fábio Pais || Fotografias: Gonçalo Nogueira









