Depois de celebrarem os seus primeiros dez anos de banda, os Sunflowers geraram e pariram o seu quinto álbum. You have fallen … Congratulations! está aí nos escaparates … e na estrada, para gáudio dos fanáticos da música independente! Uma semana depois de os ouvir em Évora, fomos absorvê-los à Casa Capitão.
“A palavra de segurança é Ananás!” Se não forem duros de ouvido e/ou coração, é bom não esquecerem este recado, independentemente das vezes que já os viram em concerto, porque uns e outros podem derreter!
Este foi o sexto concerto dos Sunflowers desde abril de 2023 que tive a sorte de sentir e confiem em mim, sentir não é figura de estilo! Ouvir e ver não é suficiente! Carrego uma sensação forte de que cada concerto é ainda melhor que o anterior, o que poderá tanto ser causado pela crescente rodagem de uma banda que gosta de se chamar uma “banda profissional”, como por eu estar cada vez mais viciado no seu som! Um concerto deste “mais do que power” trio que vem do Porto é um rolo compressor … punk rock psicadélico e o que mais lhe quiserem chamar a abrir desde o início.
Não se preocupem, o “Fuck You” gritado a seis pulmões de “Forgive me, Father, for I have Sinned” (do primeiro disco da banda – The Intergalactic Guide To Find The Red Cowboy), não é dirigido para vós. Bem pelo contrário, como poderão comprovar pelo viciante “I got friends”, o tema que se segue e que inaugura a viagem guiada pelo recém editado You have fallen … Congratulations! Aliás, o poder sónico emanado pelos amplificadores só tem paralelo no amor e na cumplicidade que sentimos vibrarem entre os três – aquelas trocas de olhar transcendem o acertar do passo – e espalham-se por uma sala quase cheia que vai tentando equilibrar o olhar fixo na banda, o prazer auditivo e uma vontade reflexa de dançar com a mestria dos malabaristas dos semáforos da Rotunda do Relógio.
Lançado pela reputada Fuzz Club Records, o último longa duração dos Sunflowers parece apurar os ingredientes que a banda tem vindo a criar e desenvolver ao longo da sua carreira. E será, talvez, por essa razão que num alinhamento em que os temas dos discos anteriores – como a cavalgada psicótica de “Body Craves Data” ou o túnel de vento sónico de “Oscillations” – se vão ensanduichando com os novos, fique uma ideia (e sobretudo, um sentimento) forte de coesão! Para além da necessária afinação, as pausas servem para Carolina, Fred e Carlos recuperarem o fôlego, para este último ir forjando a sua carreira de humorista … mas, principalmente, para aqueles que os rodeiam no envolvente sótão da Casa Capitão poderem tentar recompor-se … e terá sido só por isso que ninguém gritou “Ananás”!




















