A edição de 2024 promete. Um cartaz de luxo e a lotação praticamente esgotada faz prever um ataque Sónico de dimensões olímpicas!
A malta está sedenta, o que se faz notar numa festa de aquecimento com ainda mais público do que no ano passado e no volume e entusiasmo do coro que acompanhou “War Pigs” que aquecia as colunas de um palco 3, que nunca pareceu tão pequeno.
Quiz o destino que as batidas e distorções iniciais desta XII edição do Sonic Blast fossem asseguradas por duas bandas tugas carregadíssimas de energia. Apesar das suas diferenças estilísticas, Bow e Spitgod, combinaram na pujança sónica que todos ressacavamos e assim, Slam, crowd surfing e microfones partilhados foram boas práticas repetidas nas primeiras horas do festival.

Com o fresquíssimo EP Infectious Salty Assault II na bagagem, os BØW atacaram o palco 3, apoiados num Punk Hardcore com os níveis de PMA no máximo. O quarteto de Santa Cruz sentiu a importância do momento, entregou-se de corpo e alma e espalhou boas vibrações por todo o recinto. E como se o frenesim não fosse já suficiente, o set acaba com uma versão de “Territorial Pissings” que aposto que arrancou um sorriso ao Cobain, esteja lá onde ele estiver.

Os Spitgod aproveitaram a boleia da corrente elétrica, e partiram tudo o que viram pela frente. Os manos Cruz (Beatriz na bateria, Telmo na guitarra e ambos na voz) até podem fazer lembrar os White Stripes – no formato e nos amperes – mas as influências são outras, mais negras e mais pesadas. Os Spitgod misturam sonoridades metálicas (há ali um pouco de tudo, em doses equilibradas) com uma atitude punk e apimentam bem a coisa com um diálogo vocal tremendamente magnético! Saído no passado maio, o EP Through Life ‘Till Death marca a estreia discográfica da banda do Porto e vale bem a pena!
Os noruegueses Saint Karloff foram escolhidos para fechar a noite, provavelmente com o intuito de reduzir um pouco a velocidade e, simultaneamente, preparar o caldinho sónico dos próximos 3 dias. Equilibrando influências do Hard Rock da década de 70, com Doom, Stoner e o psicodelismo… o trio norueguês bem pode ter reduzido a velocidade, mas a sua intensidade fazia-se sentir até ao monte do Calvário.

Foram excelentes os sinais deixados neste “dia 0”. Confesso que receio sempre elevar as minhas expectativas, mas este cartaz não me vai facilitar o processo. Para hoje, e para além de nomes como Viagra Boys, Graveyard ou Black Mountain, teremos o voodoo dos Máquina e bandas que estou ansioso de ver ao vivo como os Maruja e Earth Tongue. Até amanhã…









