A noite da última quinta-feira foi uma daquelas noites fantásticas, onde para além de sentir que os meus ouvidos foram mesmo muito bem tratados, saí do Musicbox com a alma cheia e a sensação de que o nosso subsolo continua a cuspir-nos pérolas sónicas, estejamos nós disponíveis e atentos para as desfrutar.
Com o fresquíssimo EP A sombra do Chão – de audição obrigatória, diga-se já de avanço! – debaixo do braço, os Pato Bernardo atacaram o Musicbox com o à vontade pouco característico de uma banda tão jovem (e com elementos tão jovens)! Desconheço até que ponto as máscaras terão ajudado, ou se terá sido a (aparente) familiaridade com o público presente, mas o que mais interessa é que a atuação do trio lisboeta mostrou-se tão solta quanto pujante.
A sonoridade dos Pato Bernardo parece assente no que se decidiu chamar post-qualquer coisa bem movimentada (rock ou harcore … escolham à vossa vontade) , quase sempre em registo instrumental e com recurso às ondulações rítmicas deste estilo de corrente musical. Há momentos de peso, inclusivamente muito próximos do Metal e do Hardcore, intercalados com outros, mais calmos e acariciados por arpejos doces (mas sem enjoar), prontamente interrompidos por uma fúria dançante de inspiração no funaná. Tudo feito de forma muito orgânica e fluida, não se sentido que composições como “O último discurso de Amílcar Cabral” ou “Migas de Banana” tenham chegado a ultrapassar os oito minutos.
Diogo Paço no baixo e Francisco Saramago na bateria estabelecem a fundação sólida perfeita para as divagações plenas de versatilidade e virtualidade de Martim Lino na guitarra. E está aqui outro nome, até como veremos já de seguida, a fixar. Uma experiência a não perder, sempre que tiverem essa oportunidade.
A noite começou com Reia Cibele. E que bela maneira de começar, … se me permitem a liberdade, à bruta. O quarteto identifica-se com o screamo, mas a mim, que não consigo (ainda … eu estou a tentar … juro!) chegar a todas as vielas da toponímia musical, trouxe-me de volta as melhores lembranças dos Dillinger Escape Plan, dos Defheaven e, claro, dos deuses Converge! A guitarra de Martin Lino (eu tinha dito) volta a fazer das suas, pairando entre abordagens angulares e paisagens jazzísticas como no tema “31039 ORI”, sempre secundado de forma exemplar pela secção rítmica a cargo de Micas (baixo e voz) e Vasco (bateria) e pelo vozeirão de Bruno, que muitas vezes chegou a dispensar o microfone! Outra banda que importa não deixar escapar, não só ao vivo como em disco – o seu EP homónimo, editado em maio, faz tudo menos desiludir.



























