No fim de semana passado, a Dois Corvos de Marvila festejou o International Clash Day com a atuação dos Pato Bernardo, o DJ Set dos Trailer Park Noise, uma feira de Vinil e uma exposição do Grow Rebel. Mesmo com tanta chuva, nem nos perguntámos se deveríamos ir ou ficar. Simplesmente fomos!
(London calling) Yes, I was there, too
And you know what they said? Well, some of it was true
(London calling) At the top of the dial
And after all this, won’t you give me a smile?
(The Clash, “London Calling”)
O International Clash Day surgiu a 7 de fevereiro de 2013, quando um DJ da estação de rádio KEXP, de seu nome John Richards, decidiu fazer um programa exclusivamente composto por canções dos Clash, só porque podia. Desde então, muita gente se tem juntado para a celebração de uma das bandas mais inspiradoras da história do Rock. No caso dos londrinos, sinto que esta afirmação transcende o chavão da influência estética, onde não deveremos nunca negligenciar a miscigenação estilística e cultural, passando mesmo para o campo das ideias, das práticas e das atitudes defensoras da criatividade, da liberdade e da luta.
Neste sentido, a escolha de trazer os Pato Bernardo ao International Clash Day deste ano não poderia ter sido mais apropriada. Os três moços que se instalaram no palco – ali no canto da enorme sala da Dois Corvos de Marvila – bem poderiam ser netos dos quatro magníficos, não vêm trazer versões tributos nem repetir fórmulas, mas o apelo à liberdade e ao amor pela música! Num registo muito mais low-fi que da primeira vez que tive a sorte de os ouvir, e claro do muito promissor EP de estreia A Sombra do Chão (desesperadamente a pedir sequência), Martim (guitarra), Diogo (baixo) e Francisco (bateria) lançaram-se numa jam session que passou pelas malhas do referido disco, mas também por muita improvisação e alguma loucura. Desconfio que quem os conheceu nesta noite terá ficado algo confuso, até pela mencionada (falta de) qualidade do som, mas aposto que também deliciados pela fluidez com que a banda mistura groove com matemática, jazz com metal e ângulos retos com curvas quase perfeitas! Os fãs, onde me incluo, fizeram a festa, mataram as saudades e partilharam a delícia da música com toda a sala!
Fotografias de Rui Gato













