Da penumbra, uma banda de super-estrelas que encanta e deslumbra.
Sinister Grift poderia ser um lamber de ferida ao vivo. Panda Bear lançou recentemente o seu sétimo álbum a solo, primeiro dos últimos 5 anos, e a sua tour europeia conta com 5 datas em Portugal. Na do Capitólio de Lisboa, o salão esteve quase cheio e a noite foi catártica e vibrante para muitos, a léguas de um luto descarnado ou resignação forçada.
Envoltos na penumbra que abraçou o palco com um misto de luzes e fumo, todos os elementos pareciam mergulhados em névoa (sinistra, mas pouco), apenas como forma de realçar a riqueza do som, a harmonia dos arranjos, o namoro entre vozes e instrumentos com carinho nos detalhes. Podiam ser só velhos amigos a improvisar em fato treino, mas nada do que se ouviu foi um acaso e o que importa é claramente a música.
Um artista experiente a compor e a tocar, com temas cada vez menos autobiográficos e mais mitológicos, o Panda já referiu em entrevista a alegria de ter podido fazer este disco em nome próprio mas com a ajuda do seu mais antigo companheiro dos Animal Collective, Josh “Deakin” Dibb, inovando no seu próprio processo criativo e artístico. Adicionalmente, a “sorte” de trazer este novo trabalho a palco com a disponibilidade dos seus colegas de banda, além de Cindy Lee e a portuguesa Maria Reis, para o acompanharem em digressão.
Um concerto melancólico, ouvi dizer, mas ao vivo pude ver vários fãs a dançar com energia e consegui vislumbrar o que agarra tanta gente, há tantos anos. Do novo álbum, pudémos ouvir os temas “50mg”, “Ends Meet”, “Praise” e “Defense”, com o aguardado “Anywhere but here” reservado para o encore, como a lembrar: “… O nosso dever na vida consiste apenas em agir bem. Agir bem, amar bem, tratar bem, independentemente do retorno, pois o que os outros fazem não nos cabe a nós…”.
Talvez um ambiente semi intimista, como este, pedisse mais diálogo com o público além de “obrigado” mas, que outras palavras batem a mensagem de fecho, ao vivo na voz da Maria Reis: “agir sempre com pureza alivia-nos por dentro, e só aí vemos a responsabilidade do amor, nesta vida e na próxima”?
Pandas. They rock.
Fotografias de Rui Gato












